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Médica vira ré por morte de paciente após lipoescultura e é proibida de atuar no RJ

Médica Geysa Leal Corrêa vira ré pela morte de paciente após lipoescultura em São Gonçalo e tem exercício da medicina suspenso pela Justiça.

Médica vira ré por morte de paciente após lipoescultura e é proibida de atuar no RJ
Imagem da reportagem

Uma médica se tornou ré na Justiça do Rio de Janeiro pela morte de uma paciente submetida a uma lipoescultura em São Gonçalo, na Região Metropolitana. A decisão também determinou a suspensão do exercício da medicina pela profissional Geysa Leal Corrêa, acusada pelo Ministério Público de homicídio qualificado com dolo eventual.

A vítima, Aline Heloisa Lima Santos de Oliveira, morreu nove dias depois da cirurgia, realizada em 13 de novembro de 2023, no Centro Médico Icaraí. Segundo a denúncia, durante o procedimento, a médica perfurou o intestino da paciente em três pontos, provocando o vazamento de conteúdo fecal para a cavidade abdominal.

As lesões teriam causado uma peritonite fecal, que evoluiu para choque séptico abdominal. Para o Ministério Público, a profissional assumiu o risco de provocar a morte da paciente durante a realização do procedimento.

Acusação aponta demora no atendimento

De acordo com a denúncia, Aline apresentou dores intensas e falta de ar logo após a lipoescultura. Os promotores afirmam que os sintomas foram minimizados pela médica e que não houve intervenção imediata diante dos sinais de complicação.

Somente no dia seguinte, após a piora do quadro clínico, a paciente foi transferida para um hospital, onde passou por uma cirurgia de emergência. Ela morreu nove dias após o procedimento estético.

O Ministério Público também questiona as condições do estabelecimento onde a operação foi realizada. Segundo a acusação, o Centro Médico Icaraí não contava com estrutura adequada para atender complicações cirúrgicas graves.

Na decisão que recebeu a denúncia, a Justiça determinou ainda uma fiscalização no estabelecimento para verificar alvarás de funcionamento, condições de higiene e a existência de centro cirúrgico e Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O promotor Antonio Carlos Fonte Pessanha afirmou que a médica realizou o procedimento em uma clínica sem os equipamentos necessários para atender uma intercorrência grave.

A acusação é de homicídio qualificado por motivo torpe, apontado pelo Ministério Público como ganância, e emprego de meio cruel, em razão do sofrimento físico da paciente e da ausência de intervenção imediata.

Com o recebimento da denúncia, a médica responderá por homicídio qualificado com dolo eventual. O caso poderá ser levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Viúvo relata oferta de emprego

O marido da vítima, Edson de Oliveira Júnior, afirmou à polícia que a médica e o companheiro dela tentaram convencê-lo a não dar prosseguimento à denúncia.

Segundo o depoimento, ele recebeu uma oferta de emprego em um período no qual estava desempregado e precisava sustentar a filha e arcar com as despesas da família.

"Seu suposto esposo, a qual não tive contato com ele pessoalmente, só por telefone, ofereceu emprego, entendeu? Porque nessa época eu fiquei desempregado e tive que me mobilizar pra poder sustentar a minha filha e os restante das despesas", relatou.

Ao analisar o depoimento, a Justiça identificou indícios de possível coação e proibiu a médica de manter contato com o viúvo, tanto pessoalmente quanto por meios virtuais.

Denúncia cita mortes de outras pacientes

A acusação também menciona as mortes de outras duas mulheres que passaram por procedimentos realizados pela médica: Adriana Ferreira Capitão Pinto, em 2018, e Silvia de Oliveira Martins, em setembro de 2023.

Segundo o Ministério Público, quando realizou a cirurgia de Aline, Geysa não possuía título de especialista em cirurgia plástica registrado no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj).

O histórico profissional da médica já havia sido alvo de reportagem em 2023. Na ocasião, ela respondia a pelo menos nove processos relacionados a alegações de erros médicos no Tribunal de Justiça do Rio, sendo sete ações cíveis e duas criminais.

Naquele período, o cadastro da profissional estava ativo no Cremerj, com especializações registradas em medicina do trabalho, medicina estética e medicina ortomolecular. Ela não possuía registro de especialidade em cirurgia plástica e, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, não integrava os quadros da entidade.

Adriana Ferreira Capitão Pinto morreu seis dias depois de uma cirurgia realizada em 2018. Em 2022, Geysa foi condenada em primeira instância por homicídio culposo, com inobservância de regra técnica da profissão. Questionado sobre a condenação, o Cremerj não respondeu.

Já Silvia de Oliveira Martins, advogada do cantor MC Poze do Rodo, morreu em setembro de 2023, após realizar uma lipoaspiração. Na época, a declaração de óbito apontou choque hemorrágico por tromboembolismo pulmonar, associado à realização recente do procedimento, segundo declaração do então advogado da vítima.

Cremerj ainda não havia recebido notificação

Mesmo após os episódios anteriores, Geysa Leal Corrêa continuava divulgando procedimentos estéticos nas redes sociais até outubro deste ano. Em uma das publicações, a médica aparece apresentando uma harmonização facial com enxerto de gordura.

Apesar da decisão judicial que determinou a proibição do exercício da medicina, o Cremerj informou que ainda não havia recebido nenhuma notificação oficial sobre a medida. Em nota, o Conselho afirmou que a profissional permanecia com registro ativo e em situação regular perante a entidade.

O Cremerj declarou ainda que, assim que receber a comunicação judicial, cumprirá a determinação: "Cumprirá qualquer ordem judicial".

Com informações de www.ururau.com.br.

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