Golpe com falsificação de Keytruda leva Gaeco e Polícia Civil paulista a mirar grupo que vendia imunoterápico contra o câncer
Operação Laziosi cumpre três mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão contra suspeitos de comercializar medicamento oncológico falsificado. As diligências incluem Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e a capital paulista.
Nesta quinta-feira, 5, uma organização criminosa suspeita de vender remédios falsificados para tratar câncer passou a ser alvo da Operação Laziosi. A ação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público, junto com a Polícia Civil de São Paulo. Pela manhã, os agentes cumprem três mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão.
A apuração teve início em 2024, quando o laboratório Merck Sharp & Dohme (MSD), dono do registro do oncológico Keytruda, comunicou às autoridades a venda de uma unidade falsificada do produto. Esse frasco fora comprado em 21 de maio daquele ano pelo Hospital Igesp, localizado na capital paulista, junto à distribuidora Nacionalfarma, com sede em Araraquara, no interior de São Paulo.
Exames feitos em laboratório pelo fabricante constataram que o medicamento não possuía o princípio ativo. Posteriormente, uma perícia oficial confirmou a falsificação.
Os materiais recolhidos na primeira etapa da investigação, realizada em novembro de 2024, apontaram sinais de que a Nacionalfarma trabalhava de forma integrada com uma rede de companhias de fachada para escoar os remédios falsos.
O produto visado pelos criminosos é um imunoterápico aplicado por injeção e empregado no combate a diversos tipos de câncer, entre eles o melanoma (câncer de pele), o câncer de bexiga, o de rim e o de endométrio. Sua ação consiste em estimular o sistema de defesas do organismo para identificar e atacar as células cancerígenas. Aprovado pela Anvisa em novembro de 2021, o Keytruda é vendido em frascos de 4 mililitros e possui preço elevado no mercado.
"Trata-se de imunoterápico de altíssimo valor de mercado, circunstância que o torna alvo preferencial de fraudes", afirma o delegado Diógenes Santiago Netto, em representação de 75 páginas enviada à Justiça.
De acordo com o Ministério Público, apenas entre janeiro e novembro de 2024, a distribuidora registrou notas fiscais de vendas desse imunoterápico que superaram R$ 1,5 milhão, com clientes em pelo menos sete estados.
Os três que figuram nos mandados de prisão preventiva são Nalva Braz do Nascimento, dona da Nacionalfarma e apontada como a pessoa que, na prática, comandava a estrutura criminosa; Petter Gabriel Cavalcante Chagas, descrito como o vínculo do grupo com o mercado hospitalar e como participante da cotação que terminou na venda do Keytruda ao Hospital Igesp; e Sharlene Chaves Barbosa, encarregada da articulação financeira do esquema, chamada a cuidar de dados bancários e de opções para emissão de notas fiscais.
O Estadão tenta contato com a defesa dos suspeitos e permanece com espaço aberto para eventual manifestação.
Já em abril de 2025, depois da primeira fase da Operação Laziosi, a Nacionalfarma comercializou nove unidades de outro remédio oncológico falsificado para um hospital do interior paulista. O laboratório detentor do registro desse produto confirmou a fraude.
Conforme informou o hospital, uma dessas unidades chegou a ser aplicada em um paciente. O restante foi retirado pela própria Nacionalfarma e trocado por medicamentos de um lote igual ao de uma carga roubada em Minas Gerais.
As diligências desta quinta-feira acontecem em Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e na capital paulista. A Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 15 milhões pertencentes aos investigados, a empresas ligadas a eles e a pessoas usadas como intermediárias, além de determinar a suspensão das atividades de sete companhias.
Na capital, foram localizados medicamentos oncológicos suspeitos de falsificação, os quais "passarão por análises para verificar sua autenticidade e procedência", declarou a Secretaria de Segurança Pública.
Com informações de CAMPOS 24HORAS.
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