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Operação Mahin mira autor de intimidações que atingiram família de Talíria Petrone

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em Teresópolis dentro de uma investigação sobre ameaças, racismo e violência política contra a deputada federal Talíria Petrone e seus familiares.

Operação Mahin mira autor de intimidações que atingiram família de Talíria Petrone
Imagem da reportagem

Nesta terça-feira (3), a Polícia Federal (PF) colocou em prática a Operação Mahin, voltada a apurar mais um caso de intimidação contra a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) e seus parentes. As ameaças de morte, a injúria racial, o racismo e a violência política citados na investigação atingiram a parlamentar e pessoas de sua convivência. Durante a diligência, agentes federais cumpriram um mandado de busca e apreensão em Teresópolis, medida autorizada pela Justiça Eleitoral do Distrito Federal.

De acordo com a corporação, o inquérito teve início em agosto deste ano, depois que foram enviadas mensagens eletrônicas contendo ameaças de morte e ataques racistas e misóginos direcionados à parlamentar e a integrantes de sua família. Esses textos traziam ainda informações pessoais da deputada, que foram expostas sem consentimento. A PF afirmou ter identificado um suspeito como autor das mensagens.

Esse suspeito acabou sendo detido em Teresópolis posteriormente, sob a suspeita de participação em outro delito. Segundo a instituição, a ação desta etapa pretende juntar novas provas que esclareçam em que contexto as ameaças ocorreram e que aprofundem as apurações. Por enquanto, a identidade do investigado e a lista de objetos recolhidos durante a diligência não foram tornadas públicas.

Talíria Petrone foi avisada sobre a Operação Mahin por meio de reportagens veiculadas pela imprensa. Em comunicado divulgado publicamente, ela declarou que, ao longo de uma década na vida pública, foi alvo de várias intimidações, entre elas planos de assassinato que, conforme sua avaliação, teriam sido arquitetados por milicianos. A parlamentar, que mantinha amizade com Marielle Franco, assassinada em 2018, disse esperar que todos os processos sejam encerrados, com identificação e punição dos culpados.

Na mesma manifestação, Talíria cobrou uma atitude do Estado diante dos crimes de violência política de gênero, racismo e ameaças. Segundo ela, a ausência de apuração estimula a repetição dos ataques e as tentativas de calar mulheres, sobretudo negras e de esquerda. Para a deputada, a participação feminina na política reforça a democracia, e a punição dos envolvidos é essencial para que as mulheres exerçam seus mandatos com tranquilidade.

O histórico de intimidações da parlamentar inclui diversas denúncias de violência política e de ameaças de morte. Em julho de 2024, quando disputava a pré-candidatura à Prefeitura de Niterói, ela foi alvo de um e-mail com ameaças de morte e ofensas raciais. A mensagem fazia referência aos filhos dela, à sua rotina e ao endereço do gabinete. A situação foi levada à Polícia Federal, à Polícia Civil e ao Ministério Público.

Já em março de 2026, Talíria voltou a tornar públicas ameaças de morte e agressões racistas e misóginas. Naquele momento, ela disse que existiam vários inquéritos em tramitação, porém sem que os responsáveis tivessem sido punidos.

Em agosto deste ano, a deputada noticiou outra rodada de ameaças de morte e de estupro enviadas por correio eletrônico. A mensagem trazia endereços e informações pessoais dela e de parentes, inclusive dos filhos, e colocava em risco a segurança das crianças. O episódio foi repassado à Polícia Federal e à Polícia Legislativa, e também foi comunicado ao Ministério Público Federal, ao Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos e ao Tribunal Superior Eleitoral.

Naquela ocasião, Talíria declarou que se tratava da terceira vez, em poucos meses, em que recebia intimidações contra sua integridade física. Ela também contou que essas ameaças levaram à adoção de protocolos de segurança voltados a protegê-la, bem como a seus filhos e familiares.

A deputada já tinha relatado, além disso, intimidações ligadas a milicianos e planos para matá-la. Na nota divulgada depois da Operação Mahin, Talíria pediu que todos os inquéritos sejam concluídos e que os envolvidos sejam responsabilizados. Para ela, a inexistência de respostas por parte das instituições mantém a violência política, o racismo e as tentativas de silenciar mulheres negras na política.

Com informações de CAMPOS 24HORAS.

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