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Política

Guerra e crime elevam mortes de repórteres ao pior patamar em uma década, aponta agência da ONU

Estudo da Unesco contabiliza 189 profissionais de imprensa assassinados em 2024 e 2025, o pior resultado desde 2014/2015. A impunidade subiu a 86%, e o Brasil teve um caso no período.

Guerra e crime elevam mortes de repórteres ao pior patamar em uma década, aponta agência da ONU
Imagem da reportagem

A agência da ONU para educação, ciência e cultura, a Unesco, divulgou nesta segunda-feira (2) um balanço segundo o qual 189 profissionais de imprensa foram assassinados no planeta ao longo de 2024 e 2025. É a cifra mais alta que a entidade contabiliza desde o biênio 2014/2015, uma década atrás, quando o total chegou a 215 casos.

Conforme o Relatório sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade, 127 das vítimas, ou 67%, morreram em nações que vivem situações de conflito armado. Nessas regiões, o crescimento foi de 24% na comparação com o biênio 2022/2023.

Drones mataram cinquenta desses profissionais. Também houve bombardeios e ofensivas contra sedes de veículos e imóveis onde jornalistas estavam abrigados, o que causou pelo menos 36 mortes. Em um único episódio, nove pessoas perderam a vida ao mesmo tempo.

O documento aponta que, em ao menos 15 ocorrências, existem sinais de que as vítimas foram atingidas apesar de vestirem coletes escritos “imprensa” ou de estarem em automóveis claramente identificados como pertencentes a jornalistas.

Fora das zonas de guerra, foram 62 mortes no biênio 2024/2025, o número mais baixo em 18 anos. Dessas vítimas, 17 foram mortas nos locais de trabalho, 33 dentro de seus veículos e 20 em casa, algumas ao lado de familiares. Quatro morreram em atentados terroristas e sete em contextos de protesto, atingidas por manifestantes ou por policiais.

Quanto ao tema das reportagens, 104 mortes aconteceram durante a cobertura de conflitos armados. Outras 38 vítimas trabalhavam com política, 22 investigavam atividades criminosas e algumas mais acompanhavam casos de corrupção.

“Isso mostra que fazer reportagens sobre alguns assuntos pode ser tão perigoso quanto reportar em uma zona de guerra”, afirma Sylvie Couldray, diretora de Liberdade de Expressão, Desenvolvimento da Mídia e Alfabetização Midiática e Informacional da Unesco.

Entre os 189 mortos, cinco tinham de 15 a 24 anos e 20 estavam na faixa de 25 a 29 anos. Foram 14 mulheres, 7% do total e a menor proporção desde 2012/2013. Treze delas morreram em países em conflito.

A Palestina, alvo de ataques das forças israelenses desde 2023, concentrou o maior número de vítimas: 62, o equivalente a um terço de todas as mortes do biênio.

No Brasil, houve um único registro: Luís Augusto Carneiro da Costa, o Luisinho Costa, morto no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no nordeste do Pará, em maio de 2025. A Polícia Civil paraense informou que o inquérito foi finalizado e enviado à Justiça, com quatro indiciados.

Impunidade: de acordo com a Unesco, 1.641 jornalistas foram mortos no mundo desde 2006, mas a Justiça resolveu só 223 casos (14%). A maioria, 1.013 (66%), segue impune, com processos em curso ou sem solução. Em 321 casos (20%), a entidade não obteve resposta das autoridades.

Somando os casos sem solução e aqueles em que não houve retorno dos governos, o índice de impunidade atingiu 86% neste ano, um ponto acima de 2024. Foi a primeira elevação desde 2012.

“O relatório é uma ferramenta importante para monitorar as tendências globais, além de nos lembrar que proteger jornalistas e acabar com a impunidade são essenciais para salvaguardar a liberdade de expressão e o direito do público à informação”, diz Mariya Gabriel, diretora de Comunicação e Informação da Unesco.

Embora trate apenas de assassinatos, o documento lembra que a categoria também sofre violências não letais, como sequestros, desaparecimentos forçados, prisões arbitrárias, ataques online motivados pelo gênero e restrições à circulação.

A Unesco procurou as autoridades dos 78 países com registro de violência contra profissionais de imprensa. Do conjunto, 38 enviaram dados sobre ações para garantir a segurança da categoria e punir os crimes.

O Brasil relatou a adoção do Protocolo Nacional para a Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, lançado em abril deste ano pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O protocolo passou a integrar o repositório de mecanismos nacionais de segurança da Unesco.

Com informações de CAMPOS 24HORAS.

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