🔴 PLANTÃO Batida entre carro e bicicleta elétrica na Avenida 28 de Março deixa mulher em estado grave
⛅ Campos dos Goytacazes 29°C
◎
Polícia

Verba federal de deputado do PL chega a instituto ligado a suspeito de vínculo com chefe do CV

Roberto Monteiro, pai de Gabriel Monteiro, direcionou quase R$ 5 milhões em emendas a uma entidade cujo presidente já foi investigado por suposta ligação com Marcinho VP, líder do Comando Vermelho.

Verba federal de deputado do PL chega a instituto ligado a suspeito de vínculo com chefe do CV
Imagem da reportagem

Nos anos de 2024 e 2025, o deputado federal Roberto Monteiro (PL), genitor do ex-vereador e influenciador Gabriel Monteiro, encaminhou R$ 4,92 milhões em emendas parlamentares ao Ibraf, o Instituto Brasileiro Braço Forte. A organização é apontada como fachada, e seu dirigente já foi acusado de ter ligação com Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP e apontado como líder do Comando Vermelho (CV).

Segundo a reportagem, a entidade recebeu esses valores vultosos para oferecer aulas de futebol e de lutas a crianças e adolescentes, embora não tenha nenhum histórico relevante nesse campo. Além disso, foi a primeira vez que a instituição obteve dinheiro público.

De acordo com o cadastro na Receita Federal, a sede do Ibraf fica no quinto andar de um sobrado situado na Rua Sete de Setembro, no Centro do Rio. Ao visitar o endereço nesta semana, o repórter constatou que o imóvel estava abandonado.

Das quatro emendas assinadas por Roberto Monteiro, único parlamentar a destinar recursos à ONG, três seguem em andamento sem qualquer transparência. A instituição não informa onde as aulas supostamente acontecem e tampouco mantém um site para inscrições.

No Instagram, a página do Ibraf conta com somente dois seguidores e exibe imagens genéricas, que não guardam relação com o montante aplicado. Já uma emenda de R$ 1 milhão, destinada ao projeto "Esporte e Esperança", cuja meta era atender 400 crianças e adolescentes, teve sua execução finalizada.

No Transferegov, plataforma que concentra os documentos encaminhados pelas organizações ao governo federal, o relatório com as fotografias das atividades aparece corrompido e impossível de abrir.

Em resposta enviada por WhatsApp a partir do gabinete, o deputado Roberto Monteiro declarou que "os documentos oficiais demonstram a regularidade documental considerada pelo Ministério do Esporte para a formalização das parcerias".

Na mesma mensagem, ele acrescentou: "A habilitação da entidade e a análise das contas competem ao Ministério do Esporte. O acompanhamento e a fiscalização da execução cabem aos gestores das parcerias designados pelo Ministério, conforme a Lei nº 13.019/2014".

O comando do Ibraf está nas mãos de Henrique Hernan Mateus Oliveira, 51 anos, que a polícia costuma chamar de "Samurai". Ele chegou a ter a prisão preventiva determinada no começo de 2011, no bojo de apurações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro que reunia parentes de Marcinho VP e de outros dois líderes do CV.

O caso se arrastou até o início de 2020, quando a Justiça, em primeira e em segunda instância, inocentou todos os réus, incluindo Marcinho VP. No acórdão, a desembargadora Katia Maria Amaral Jangutta, relatora do processo, escreveu que "não foi produzida prova cabal de que o réu Henrique cumpria ordens da cúpula da organização criminosa Comando Vermelho e arrecadava os lucros obtidos nos pontos de venda de drogas".

Apesar da absolvição, a magistrada ressaltou indícios de envolvimento criminoso de Henrique, que o Ministério Público descrevia como uma espécie de secretário de parentes de chefes do CV. Interceptações da época indicaram que Márcia Gama Nepomuceno, mulher de Marcinho VP, mantinha "estreita relação com o acusado Henrique, o qual a auxiliava no pagamento de boletos, como os de plano de saúde e escola, fornecendo-lhe, inclusive, o número de CPF da mãe dela".

Márcia Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, foi detida no mês passado pela Polícia Federal durante a Operação Backbone, cujo objetivo é desmontar uma estrutura de monopólio de internet em comunidades da zona norte do Rio.

Os investigadores também chegaram, por meio de uma ligação de Henrique interceptada em julho de 2008, a conversas que apontam participação na compra de munições. Em um dos diálogos, um interlocutor identificado como Régis afirma: "Aí mano, se liga, é... Eu tô vendendo dez caixas de 9 a duzentos reais e mais três do 762, cento e oitenta".

Henrique rebate com uma pergunta sobre o calibre 762, questionando se o preço era de cinquenta. Régis responde que vai checar com o outro envolvido e Henrique pede que confirme se o valor é de cinquenta por caixa.

Na decisão, a magistrada afirmou: "As interceptações telefônicas evidenciam que Henrique teria envolvimento com atos ilícitos, como a compra de munições calibres 9mm e 762. Indicam, também, que mantinha contato com a denunciadas Márcia, Paula e Bruna (parentes de lideranças do CV). E ainda, o laudo contábil demonstra que o total de créditos em suas contas bancárias alcançaram, no período de novembro/2004 até novembro/2009, R$1.284.236,39".

Mesmo assim, a desembargadora registrou que não havia "evidência firme" do crime de lavagem de dinheiro apontado pelo MP na denúncia, motivo que levou à absolvição.

Além de comparecer à sede da organização, a reportagem encaminhou perguntas aos endereços de e-mail geral da instituição e de Henrique, mas não recebeu resposta. O espaço continua aberto para manifestações.

Henrique também é proprietário de duas empresas abertas em 2008: a H Oliveira Construções e Incorporações, com capital de R$ 1,5 milhão, e a Uniparte Construções e Logística, com capital de R$ 3 milhões.

Por sua vez, o gabinete de Roberto Monteiro afirmou que "não tinha conhecimento das informações sobre os históricos judiciais, tendo tomado ciência delas por meio desta consulta (perguntas que enviei ao deputado)". Na sequência, completou: "A própria demanda encaminhada pelo senhor informa a absolvição de Henrique em 2020 no processo mencionado".

Conhecido como Roberto Monteiro Pai, em referência ao filho Gabriel, o deputado federal do PL que destinou as emendas ao Ibraf recebeu 94.221 votos e chegou ao cargo em 2022, na primeira disputa de sua carreira. Já no pleito deste ano, o número caiu de forma expressiva, para 38.036 votos, o que o deixou apenas na condição de primeiro suplente.

Em seu perfil no Instagram, que soma 415 mil seguidores, ele publica sobretudo vídeos de fiscalização e de ações assistenciais, seguindo a mesma linha que impulsionou a trajetória política do filho. Outra filha de Roberto, Giselle Monteiro (PL), foi reeleita este ano para o segundo mandato como deputada estadual, com 44.532 votos.

Gabriel Monteiro, ex-policial militar, possui atualmente 6 milhões de seguidores apenas no Instagram. Ele foi preso e perdeu o mandato de vereador em 2022 após ser acusado de estupro. Em março de 2025, foi solto por decisão do STJ e segue respondendo ao processo em liberdade, negando as acusações.

Com informações de www.ururau.com.br.

Gostou da matéria? Compartilhe: WhatsApp Facebook X
O que você achou desta notícia?

Leia também

Banner rodapé - exemplo Publicidade
⌁
COMÉRCIO LOCAL - DESTAQUE SUA MARCA Espaço disponível para anunciantes
Quero anunciar →
WhatsApp