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Saúde

Profissionais da odontologia de Campos são capacitados para acolher vítimas de violência doméstica

Em treinamento realizado na terça-feira (3), dentistas e auxiliares da rede municipal receberam orientações sobre fluxos e protocolos para atender mulheres agredidas pelo SUS, conforme a Lei Federal 15.116/2025.

Profissionais da odontologia de Campos são capacitados para acolher vítimas de violência doméstica
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Uma capacitação voltada à assistência odontológica a mulheres em situação de violência foi promovida na terça-feira (3) pelo Departamento de Saúde Bucal da Secretaria de Saúde de Campos. Intitulado “A Odontologia na Assistência à Mulher Vítima de Violência”, o encontro teve como finalidade instruir dentistas e auxiliares de saúde bucal a respeito dos caminhos operacionais e dos protocolos de proteção que permitem às agredidas receber atendimento odontológico no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa assistência tem respaldo na Lei Federal 15.116/2025, responsável por instituir o Programa de Reconstrução Dentária para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica.

As atividades foram realizadas no auditório do Centro Administrativo José Alves de Azevedo, prédio que abriga a Prefeitura. A abertura ficou a cargo do diretor do Departamento de Saúde Bucal, Alexandre Buchaul. Também compuseram a mesa a dentista e advogada da Secretaria de Saúde, Daniela Bastos; a subsecretária municipal de Políticas para as Mulheres, Josiane Viana, responsável igualmente por iniciativas vinculadas ao Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Mercedes Baptista; a gerente de Políticas Públicas para as Mulheres, Gerlane Silva; e a delegada titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) de Campos, Juliana Oliveira.

Na abertura, Buchaul destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher deve ser encarado como responsabilidade coletiva, e não apenas da vítima. “Precisamos abraçar o combate à violência com todas as ferramentas que tivermos disponíveis. Dentre essas ferramentas, a Odontologia é uma delas, seja na acolhida, na comunicação aos órgãos oficiais e também na nossa capacidade de reparar e dar condições melhores de vida a essa mulher”, afirmou ele.

Segundo Buchaul, o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), instalado na Secretaria de Saúde, já atende um volume expressivo de mulheres agredidas que precisam desse acolhimento para amenizar os prejuízos sofridos. Ele atribuiu esse fluxo à parceria estabelecida entre o Departamento de Saúde Bucal, o Ceam e a Deam. Ainda de acordo com ele, o serviço não se restringe à vítima direta: “O atendimento não é só para a vítima, mas para todo o núcleo familiar, representado pela mulher e seus filhos”.

O gestor explicou que o tratamento pode ser buscado por livre demanda, bastando que a mulher procure o Departamento de Saúde Bucal, ou por meio de encaminhamento feito pelo Ceam ou pela Deam.

A dentista e advogada Daniela Bastos chamou atenção para a necessidade de romper a ideia de que violência se resume à agressão física. Segundo ela, há ainda a violência psicológica, caracterizada por ameaças e opressão; a violência moral, que envolve injúrias e calúnias; as palavras depreciativas; e a violência patrimonial. Ela lembrou que muitas mulheres seguem dependendo economicamente dos companheiros e, mesmo quando possuem renda própria, o controle de todo o patrimônio do casal permanece nas mãos do homem. “Quantas mulheres ainda hoje dependem economicamente dos seus maridos e, às vezes, elas não dependem financeiramente, mas o controle da parte financeira de todo o patrimônio deste casal fica retido na mão do homem”.

Daniela mencionou também a violência sexual e a violência vicária, esta última classificada por ela como a mais recente. Trata-se da situação em que o agressor não chega diretamente à mulher, mas intimida seus familiares, que compõem sua rede de apoio, seja por parentesco ou por vínculo afetivo. Ao relatar sua experiência em palestras para equipes hospitalares, como médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, ela afirmou que o objetivo é fazer essas pessoas lembrarem que, qualquer que seja a classe social, há uma mulher em vulnerabilidade financeira ou emocional.

Ainda conforme a profissional, é preciso evitar questionamentos repetitivos, não julgar e não pressionar a vítima a tomar decisões drásticas, como romper imediatamente a relação. “O recomendado é termos uma postura profissional, escuta empática, ambiente seguro e respeito à identidade”, explicou.

A subsecretária Josiane Viana informou que, apesar de o órgão contar com assistente social, psicólogo e advogado, depende de apoio de outros equipamentos. Entre eles estão a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social, necessária para obter benefícios como o aluguel social destinado à vítima, a Defensoria Pública e a Deam, que é a unidade que mais encaminha vítimas ao Ceam. “É importante falar que não podemos perder essa mulher dentro do sistema público e essa parceria com a Odontologia vai nos ajudar bastante, porque as demandas dessas vítimas são muitas. Com educação, leis mais rígidas e uma rede de apoio, vamos conseguir protegê-las”. Segundo Josiane, em 2025 foram registradas 1.571 mortes de mulheres por feminicídio em todo o país, enquanto até setembro deste ano já somavam 1.081 casos.

A delegada da Deam de Campos, Juliana Oliveira, defendeu uma postura empática e acolhedora. “Toda vez que surge um novo protocolo, um novo fluxo de atendimento, a gente vai tropeçando ao longo do caminho até conseguir encontrar o caminho mais seguro para nós, para vocês que não são da área de segurança pública e, para essas mulheres, para que não sejam vitimizadas por terem buscado ajuda”, disse a delegada.

Juliana ressaltou que os profissionais precisam ter em mente que lidam com um agressor. “Eu sei que tem muita gente que acha que quem comete violência doméstica não é um criminoso, mas ele é criminoso sim. Ele pratica crime a exemplo de quem mata, trafica droga ou rouba. Não podemos nunca menosprezar a capacidade de uma pessoa que agride uma mulher que vive com ela”, finalizou. Até o momento de 2026, a DEAM contabilizou 3600 ocorrências.

Com informações de CAMPOS 24HORAS.

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