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Política

Aos 81 anos, Lula ouve parabéns de idosos no Alvorada e chora ao elogiar quem enfrentou filas para votar

Em comemoração dos 81 anos de Lula, centenas de eleitores foram ao Alvorada. O presidente chorou ao falar dos idosos que votaram no domingo, e apoiadores contaram como o governo mudou suas vidas.

Aos 81 anos, Lula ouve parabéns de idosos no Alvorada e chora ao elogiar quem enfrentou filas para votar
Imagem da reportagem

A aposentada Cícera Brasil, de 90 anos, natural do Rio Grande do Norte, caminhou depressa na terça-feira (27) rumo ao acesso do Palácio da Alvorada, em Brasília. Só uma grade a separava do bolo de aniversário. Ela teve a mesma pressa no domingo, quando votou muito emocionada para dar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o quarto mandato. Nesta data, o petista completa 81 anos.

Matriarca negra de uma família que leva o nome do país, Cícera deixou Caicó (RN) em 1969 e foi para Brasília com três filhos pequenos e o marido, que era marceneiro. Queria contar ao presidente que o escolhe nas urnas desde 1989 e que a história dos seus ganhou brilho por causa das políticas públicas implantadas nos anos 2000.

“Todos os meus filhos e netos puderam estudar. Ele sempre inspirou minha família a acreditar que era possível ter uma vida digna”.

“A imagem mais forte”

A filha Renilda e a neta Ludmila, de 30 anos, acompanharam Cícera no ato em honra ao presidente, eleito com mais de 64 milhões de votos. Diante de centenas de eleitores reunidos no Alvorada, Lula se comoveu sobretudo ao agradecer o empenho dos mais velhos.

“Eu estava vendo o vídeo dos velhinhos votarem. Eu, sinceramente, acho que foi a imagem mais forte e humana que já vi em uma eleição”, disse o presidente, de olhos marejados.

Ele relembrou que houve eleitores levados ao colo, nos braços de filhos e netos, em cadeiras e até em macas para alcançar a urna.

“Mais uma Silva”

Rivanda Pereira da Silva, de 71 anos, que vive em Samambaia, na periferia do Distrito Federal, se emocionou ao votar e também ao cantar parabéns ao presidente, que tem o mesmo sobrenome que ela. Para Rivanda, os idosos mostraram coragem ao dizer ao mundo que “o Brasil não é quintal de ninguém”.

“Sou mais uma Silva que votou nele”.

Ela veio de Teresina para a capital federal com a família em 1962. O pai trabalhava como pedreiro, a vida era dura e ela teve de adiar os estudos para trabalhar. Vota em Lula desde 1989 e afirma que só após o início do governo dele, em 2003, compreendeu como é importante valorizar a escola.

Mãe de dois filhos, avó de cinco netos e bisavó de um, Rivanda defende que a educação seja a prioridade. “Esse presidente me fez pensar muito sobre isso”, explica.

Livros nas costas

O pedreiro Henrique Pereira de Oliveira, de 73 anos, também foi festejar. Nascido em União (PI), mudou-se para Brasília em 2004, um ano depois de Lula assumir o primeiro mandato. “Eu via esse homem e me deu vontade de escrever. Não tinha nem chegado no primário. Mas eu precisava falar”.

Henrique virou poeta. No aniversário, levou uma mochila com obras suas sobre o líder operário que chegou à Presidência. Conta que já escreveu sete, sendo a mais recente O indomável Lula, lançada no mês passado, e que paga as publicações com o que ganha como pedreiro.

Seu desejo é entregar um exemplar ao presidente.

“Hoje eu sabia que seria difícil porque tem muita gente. Mas tem mais um mandato pela frente. Ele me inspira muito. Não há felicidade maior do que estar misturado com o povo que o elegeu presidente”, afirma.

Perante os idosos e pessoas de outras idades que cantaram parabéns, Lula disse “gratidão” pelo menos quatro vezes. Lembrou da mãe, Dona Lindú (apelido de Eurídice Ferreira), morta aos 64 anos por câncer uterino.

Também citou as mulheres que defenderam políticas públicas e os jovens que saíram às ruas sem vínculo com partidos. “Nós precisamos aprimorar as políticas sociais”, garantiu.

No dia da virada

A emoção do aniversário lembrou a que a maioria dos brasileiros sentiu no domingo, cientes de que este deve ser o último mandato do petista. Ao concluí-lo, Lula terá 85 anos e será o presidente mais velho da história do país.

A advogada Lígia Câmara, de 48 anos, nascida em Garanhuns (PE), terra natal do presidente, contou ter ficado feliz ao votar nele.

“Esperança de mantermos nosso país soberano e livre da possibilidade de termos um projeto de governo que é excludente com as minorias.”

À noite, ela celebrou com entusiasmo ao lado da filha Beatriz e do marido, Rafael Câmara. A oftalmologista baiana Barbra Bita, outra nordestina radicada em Brasília, diz ter acompanhado Lula desde as primeiras campanhas até a consolidação da liderança dele no Executivo nacional.

“Nestes três mandatos, representou a esperança de que um país mais justo, solidário e humano é possível. Para mim e para milhões de brasileiros.”

Fim de uma era

A auxiliar administrativa Kemilly Pereira de Souza, de 26 anos, chorou ao deixar a seção eleitoral no Varjão (DF), pensando que se aproxima o encerramento de uma era política.

Sozinha naquele momento, ela torceu pela vitória do “velho conhecido”. Lembrou que já foi beneficiada pelo Programa Universidade para Todos, do governo federal, assim como o pai, que fez faculdade particular já adulto, enquanto sustentava quatro filhos.

“A gente achava que não seria possível ter uma graduação, pelo valor. Ele não conseguiria sozinho. Com o Prouni, meu pai conseguiu”, reconheceu Kemilly.

Brasília (DF), 27/10/2026 - Eleitores participam da festa de aniversário do presidente da República reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em frente ao Palácio da Alvorada. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Com informações de Noticia Urbana.

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