Royalties sobem, mas economistas alertam para folga curta nas contas de Campos em 2027
Apesar de receita elevada com royalties e orçamento de cerca de R$ 3 bilhões previsto para 2027, especialistas veem risco de aperto financeiro no município, sobretudo pelo peso dos gastos de custeio.
Campos encerra o ano com um quadro misto para as finanças públicas. Por um lado, a alta da cotação do petróleo no mercado internacional fortaleceu os royalties, e o repasse mais recente à Prefeitura somou R$ 65,4 milhões. Por outro, o município pode iniciar 2027 pressionado, mesmo com um orçamento anual estimado em cerca de R$ 3 bilhões, o sétimo maior entre as cidades fluminenses.
A reportagem do Campos 24 Horas ouviu o professor Alcimar Chagas, docente da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e Ranulfo Vidigal, diretor de Indicadores Econômicos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Os dois foram consultados sobre o montante que o prefeito Frederico Paes terá disponível no próximo ano e sobre os desafios que se impõem à gestão.
Entre os compromissos listados estão a retomada do programa Bairro Legal, que reúne obras de saneamento básico e urbanização, a melhoria do sistema de transportes e a finalização dos terminais de integração. Também figura na lista a necessidade de lidar com o reajuste salarial dos servidores públicos municipais.
Na avaliação dos especialistas, o principal entrave a um cenário tranquilo é a baixa execução do orçamento destinado a investimentos em obras estruturantes. Esse índice gira entre 3,5% e 4%, o que representa algo um pouco acima de R$ 100 milhões e, no limite, até R$ 120 milhões.
Para o professor Alcimar Chagas, a dificuldade maior está no custeio da estrutura administrativa. Segundo ele, "o grande problema é a falta de capacidade orçamentária para investimentos, uma rotina que se observa em quase todo país. O custeio toma quase tudo. Por mais que a receita atinja valores altos, os gastos em custeio e despesas obrigatórias travam a capacidade para investimentos no município".
O economista relembra que, na gestão da prefeita Rosinha Garotinho, a execução orçamentária para investimentos chegou a 17%, período em que o barril de petróleo alcançou patamares mais altos. "Mas, nos últimos anos, esse percentual, entre 3% e 4%, tem sido uma média muito baixa. Não atende às necessidades", destacou.
Na visão de Alcimar Chagas, a condição de cidade-polo garante a Campos vantagens na oferta de serviços de educação e saúde, além do comércio, ainda que essa atividade tenha perdido força na região central. Ele ressalta que a cidade se beneficia do entorno, citando o Porto do Açu e a indústria do petróleo em Macaé.
Segundo o professor, por ser polo regional, Campos absorve efeitos econômicos positivos das cidades vizinhas, já que muitos moradores preferem viver no município e trabalhar nessas outras localidades. Ele também menciona os shoppings e demais centros de compras como parte desse conjunto, mesmo com o recuo do comércio.
Ao olhar para dentro do município, Alcimar Chagas afirma que Campos ainda enfrenta dificuldades para gerar riqueza própria. Para ele, o setor sucroalcooleiro está em retração contínua, e nenhuma outra atividade tem o mesmo dinamismo para criar empregos e renda e fazer o dinheiro girar na economia local.
No cenário político, o programa de governo do então prefeito Wladimir Garotinho (PL), com o vice Frederico Paes (MDB), hoje já à frente da Prefeitura, previa as obras estruturantes citadas. Além do Bairro Legal, dos transportes e dos terminais, a pressão por reajustes do funcionalismo deve ser mais um desafio a ser enfrentado pelo novo prefeito.
Quanto às transferências, o repasse mensal de royalties destinado a Campos na semana passada atingiu R$ 65,4 milhões, alta de 12,9% frente ao mês anterior. Macaé recebeu R$ 142,7 milhões (aumento de 13,7%), São João da Barra, R$ 29,1 milhões (alta de 7,6%), enquanto Maricá e Saquarema tiveram os maiores valores do Estado, com R$ 330,4 milhões e R$ 306,7 milhões.
Com informações de CAMPOS 24HORAS.
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