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Política

Luyara Franco aciona a PUC-Rio após mensagens racistas sobre a mãe circularem em conversa de aplicativo

Filha da vereadora assassinada em 2018, Luyara Franco expôs nas redes ataques racistas à mãe feitos em um grupo de mensagens ligado à PUC-Rio. A universidade informou que abriu investigação interna e divulgou nota de repúdio.

Luyara Franco aciona a PUC-Rio após mensagens racistas sobre a mãe circularem em conversa de aplicativo
Imagem da reportagem

Luyara Franco, filha da vereadora carioca Marielle Franco, morta em 2018, usou as redes sociais para denunciar novos ataques à memória da mãe. De acordo com a publicação, comentários racistas sobre Marielle circularam num grupo de WhatsApp formado por pessoas ligadas à PUC-Rio, no Rio de Janeiro.

"Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com o ódio e o racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar. Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio", escreveu Luyara, em texto também divulgado pelo Instituto Marielle Franco.

Conforme o relato da filha, um participante do grupo chamou Marielle de "macaca" e perguntou de que forma ela teria custeado os próprios estudos. A vereadora estudou na PUC-Rio e se formou em sociologia.

"A gente está falando de uma mulher negra, que ocupou a universidade, que construiu sua trajetória com muito trabalho, inteligência e compromisso com a transformação da sociedade. Uma mulher que teve sua vida interrompida pela violência política e que mesmo depois de ser assassinada, continua sendo alvo de racismo", disse Luyara. Ela completou: "Isso não é brincadeira, não é opinião, não é liberdade de expressão. Racismo é crime".

A Constituição Federal prevê o racismo como crime inafiançável e imprescritível, isto é, que não perde a validade com o passar do tempo. A punição é reclusão e multa.

Em nota, a PUC-Rio afirmou ter recebido denúncias pela Ouvidoria e pelo Canal Externo de Denúncias, e que instaurou uma investigação interna para esclarecer o caso e tomar todas as providências administrativas e legais cabíveis.

A instituição declarou ainda: “A PUC-Rio rechaça veementemente qualquer ato discriminatório, incluindo racismo e injúria racial”. Acrescentou: “Como universidade confessional e comunitária, a PUC-Rio emitiu uma nota de repúdio, divulgada a toda a comunidade universitária, reafirmando seu compromisso com a promoção de uma educação antirracista e com a preservação da memória de Marielle Franco”.

Não é o primeiro episódio recente. No dia 13, durante um ato próximo à PUC-Rio, apoiadores do então presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ofenderam Marielle. Em vídeos compartilhados online, bolsonaristas debocharam do assassinato. De um carro de som, um manifestante disse: "Marielle está com papai do céu", e emendou: "ou no colo do capeta".

O caso teve grande repercussão. Na ocasião, Luyara e a tia, Anielle Franco (PT), deputada federal eleita e irmã de Marielle, postaram vídeos em defesa da vereadora.

O assassinato aconteceu em março de 2018, quando o carro em que Marielle estava foi atingido por tiros na saída de um ato no centro do Rio. Ela e o motorista, Anderson Gomes, morreram.

Os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, que confessaram ter matado os dois, foram condenados em 2024. Também receberam condenação pelo crime Domingos Brazão, na época conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio; Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, antigo chefe da Polícia Civil fluminense; Ronald de Paula, major da PM; e Robson Calixto, ex-policial militar.

Com informações de CAMPOS 24HORAS.

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