Câmbio dispara e Bolsa despenca: semana tem o maior salto do dólar em 17 anos
Após a reeleição de Lula, o dólar subiu com força e a Bolsa brasileira teve a pior semana desde o início da pandemia. Veja os números do fechamento de outubro.
Ao final de outubro, o mercado financeiro do Brasil enfrentou uma sessão de forte tensão, com a cotação do dólar em alta acentuada e a Bolsa de Valores em queda considerável. Nesta sexta-feira (30), a divisa americana subiu aproximadamente 1%, terminando o dia próxima de R$ 5,45, ao passo que o Ibovespa perdeu 0,75%, chegando a 167,9 mil pontos.
Ao longo da semana, a moeda norte-americana somou ganhos superiores a 9%, o que representa o maior avanço semanal desde a crise financeira de 2008. Já o indicador principal da B3 teve sua maior baixa semanal desde março de 2020, período em que a pandemia de covid-19 começava a se espalhar.
No âmbito interno, os ativos sentiram os reajustes feitos pelos investidores depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além das dúvidas que cercam a política fiscal do país. Já no exterior, a queda expressiva das ações de companhias de tecnologia e de inteligência artificial pesou sobre o dólar e também sobre as bolsas de outras nações.
Números do dia: o dólar à vista ficou em R$ 5,446, com alta de 1,09%; a máxima da moeda no pregão foi de R$ 5,463, por volta das 16h; o Ibovespa marcou 167.921,80 pontos, com recuo de 0,75%.
Na semana, a moeda americana acumulou 9,15% de valorização, enquanto o Ibovespa registrou queda de 18,12%. No mês, o dólar subiu 5,27% e a Bolsa caiu 9,88%.
Câmbio: o dólar comercial terminou a sexta-feira com elevação de 1,09%, cotado em R$ 5,446, que é o maior valor de fechamento do ano de 2026. Ao longo do pregão, a divisa chegou a tocar R$ 5,463 e depois devolveu uma parcela dos ganhos.
Na semana seguinte ao segundo turno da eleição presidencial, o dólar acumulou crescimento de 9,15%. Trata-se da maior alta semanal da moeda desde outubro de 2008, em meio à crise financeira internacional.
Ao longo de outubro, a divisa americana subiu 5,27%, e com isso acumula agora uma valorização de 0,81% no ano.
Parte da oscilação observada na primeira metade do pregão se deveu à composição da Ptax de final de mês, cotação apurada pelo Banco Central e usada como referência na liquidação de contratos futuros de câmbio.
A pressão sobre o real também veio da reavaliação de posições por parte dos investidores após o resultado da eleição. A espera pela escolha da equipe econômica do próximo governo e pela divulgação de medidas voltadas às contas públicas manteve o mercado de olho na direção da política fiscal.
Outro elemento foi a busca por proteção cambial antes do feriado prolongado de Finados, que terá seu ponto de descanso na segunda-feira (2). No cenário internacional, a moeda dos Estados Unidos voltou a se fortalecer diante das divisas de economias emergentes, em um dia de instabilidade associada às empresas de tecnologia.
Bolsa acumula perdas: o Ibovespa fechou a sessão desta sexta-feira em baixa de 0,75%, em 167.921,80 pontos. Foi a quinta queda seguida do principal índice da Bolsa brasileira.
Na semana, o indicador somou desvalorização de 18,12%, a mais intensa desde março de 2020, quando tinha caído 18,88% nos primeiros impactos da pandemia de covid-19.
O resultado mensal também foi negativo. Em outubro, o Ibovespa recuou 9,88%, a pior marca desde junho de 2022, quando a perda chegou a 11,5%.
A pressão sobre as ações nacionais se intensificou após a reeleição de Lula. Na primeira sessão depois da votação, realizada na segunda-feira (26), a retração do índice acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende por algum tempo as negociações diante de perdas relevantes.
Durante a semana, a saída de capital estrangeiro também contribuiu para pesar sobre os papéis. Segundo dados da B3, houve retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.
Cenário externo: além dos problemas internos, o mercado brasileiro acompanhou um quadro internacional pouco favorável, com investidores cautelosos em relação às companhias de tecnologia dos Estados Unidos e às projeções para a inflação e para os juros no mundo.
Em Nova York, o S&P 500 terminou o dia com recuo de 1,82%, reflexo em parte das inquietações com os balanços de grandes empresas de tecnologia e com os investimentos em inteligência artificial.
No mercado de câmbio, o índice que acompanha o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes marcava alta de 0,01%, aos 101,890 pontos, às 17h31.
Informações da Reuters.


Com informações de Noticia Urbana.
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