Com música no caminho, aluna da EJA de Campos transforma alegria em aprendizado e mira Medicina
Magali Alves Pereira, de 63 anos, frequenta a EJA de uma escola municipal do Parque Calabouço e sonha em cursar Medicina. Entre canções e participação ativa, ela inspira professores e colegas.
Quem passa pelo portão da Escola Municipal Olga Linhares, no Parque Calabouço, por volta das 18h, quase sempre escuta um sambinha ou uma MPB entoados por uma voz melodiosa e repleta de entusiasmo. Essa é a marca de Magali Alves Pereira, 63 anos, estudante da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que todas as noites faz esse percurso cantando. Com passos miúdos, porém firmes, ela segue até a sala de aula, onde reencontra professores e colegas.
Há dois anos matriculada na EJA, Magali cultiva uma rotina marcada pela pontualidade e pelo comprometimento com os estudos. Essa vontade de aprender se reflete na forma como toma parte das aulas, dialoga com a turma e divide vivências pessoais. A música também integra esse dia a dia, tanto nas atividades em sala quanto nas festividades e apresentações organizadas pela escola. "Eu entro cantando, eu saio cantando. O que me motiva a chegar sempre alegre para as aulas é a alegria de viver bem com a minha família e com meus vizinhos", resume a aluna, que também enxerga no acolhimento de professores e colegas um estímulo para seguir frequentando a escola.
Nem sempre, contudo, sua trajetória escolar foi contínua. Ainda jovem, Magali abandonou os estudos enquanto se preparava para o casamento. Depois da morte do marido, voltou a nutrir a vontade de retomar a formação e de trilhar um caminho que, segundo ela, ainda é possível. "Eu pretendo acabar meus estudos e fazer a Faculdade de Medicina. É o meu sonho. E depois o futuro a Deus pertence", conta.
A professora Dayana Valadares, que acompanha a aluna há dois anos, ressalta o engajamento de Magali com a rotina escolar e a influência positiva que ela exerce sobre os colegas. De acordo com a docente, a disponibilidade para tomar parte das atividades e o desejo de ampliar seus conhecimentos ajudam a criar um bom ambiente na turma. "Ela é uma aluna muito animada, muito participativa, e a alegria que traz todo dia para a escola contagia todos da turma", afirma.
Outro ponto destacado pela professora é a troca de vivências. Magali conversa com os colegas, toma parte nas discussões e associa os conteúdos das aulas a situações que já viveu. Para Dayana, essa interação amplia as oportunidades de aprendizado de todos. "Ela fala das suas experiências de vida, são muitas, e isso torna a aula enriquecedora, nos ensina muito. Eu, como professora, aprendo muito com ela", relata.
Em apresentações e eventos da escola, a estudante também ganha espaço para mostrar sua personalidade. Conforme Dayana, Magali costuma ocupar posição de destaque quando a programação inclui música e a participação dos alunos. "Quando tem apresentações aqui na escola, seja na sala ou para toda a escola, ela é a que mais se destaca, porque é a mais animada. Ela gosta de estar à frente, sempre cantando", diz a professora.
A diretora Daniela Mothé enfatiza que a presença de Magali vai além das aulas. A aluna comparece a festas comemorativas, passeios e atividades voltadas à EJA, mantendo laços com os diversos integrantes da comunidade escolar. "Qualquer evento da escola, passeio, ela participa de tudo. Ela chega aqui sorridente, alegre, trazendo sempre uma positividade para a gente", afirma Daniela, que também realça a integração da estudante nos trabalhos coletivos.
A vontade de frequentar as aulas se mantém mesmo diante de dificuldades do dia a dia. Segundo a diretora, Magali faz o trajeto até a escola a pé e não deixa de ir quando chove. A regularidade e a dedicação da aluna, observa Daniela, evidenciam o peso que a educação passou a ter em sua vida. "O aprendizado que ela deixa para a gente é a força de vontade de querer ser uma pessoa melhor, de aprender e de ser uma pessoa cada vez mais instruída", comenta.
Para Magali, o acolhimento recebido na Escola Municipal Olga Linhares faz parte importante dessa vivência. Ela agradece à professora e aos demais profissionais pelo carinho e pela paciência com os estudantes, vendo no ambiente escolar um motivo a mais para continuar. "Sou muito grata ao que aprendo aqui na EJA, grata à escola e à minha professora, ela é maravilhosa. Dá gosto vir todas as noites para as aulas, porque temos a certeza de que seremos sempre bem recebidos. Então, não há outro jeito de vir para cá que não seja alegre, que não seja cantando. E é assim que eu transformo alegria em aprendizado", declara Magali.


Com informações de CAMPOS 24HORAS.
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