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Polícia

Governador eleito promete reagir com força após bloqueios de ônibus na Zona Norte do Rio

Douglas Ruas (PL) afirmou que o crime terá resposta à altura depois de seis coletivos serem travados como barricadas em Irajá e Cavalcanti. Ele também anunciou mudanças para a segurança a partir de janeiro.

Governador eleito promete reagir com força após bloqueios de ônibus na Zona Norte do Rio
Imagem da reportagem

Com a frase "Se é guerra que eles querem, é guerra que eles terão", o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), reagiu nesta sexta-feira (30) aos seis ônibus que foram posicionados como barricadas em Irajá e Cavalcanti, bairros da Zona Norte da capital. A investida aconteceu um dia após a Polícia Militar ter tomado o Complexo da Serrinha, em Madureira.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Ruas declarou que o Estado terá outra postura quando ele tomar posse. "Quero dizer a esses criminosos que, a partir de janeiro, isso vai mudar. O cidadão não pode mais ser refém de bandido", afirma.

Para o governador eleito, o cenário equivale a uma guerra deflagrada pelo crime. "Os criminosos estão numa guerra, e é uma guerra contra a sociedade, contra todos nós. E o governo do Rio vai entrar nessa guerra, com inteligência, planejamento e respeito às leis, mas também com toda a sua força e determinação."

Na legenda do material, ele classificou os sequestros como "intoleráveis" e se comprometeu com uma "integração das forças de segurança". Até o momento, Ruas não divulgou providências concretas nem indicou quem comandará a área.

Os bloqueios tiveram início no começo da tarde. Por volta das 12h30, de acordo com o Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas do setor, as linhas da região começaram a sofrer interferências. A entidade confirmou que "seis ônibus foram utilizados como barricadas nos bairros de Irajá e Cavalcanti". Ao menos 17 itinerários tiveram sua operação modificada.

Um coletivo ficou atravessado na Avenida Monsenhor Félix, nas imediações da estação Irajá do metrô. Outros bloquearam a Avenida Pastor Martin Luther King Jr. e ruas do bairro de Colégio. Um automóvel particular e um veículo da Light completaram o cerco. Conforme a concessionária de energia, colaboradores foram abordados por suspeitos, porém ninguém sofreu ferimentos. A ocorrência foi lavrada na 27ª DP (Vicente de Carvalho).

O episódio é visto como retaliação à ocupação da Serrinha. Na quinta-feira (29), o 9º BPM (Rocha Miranda) penetrou na comunidade da Primavera, dentro do complexo, com o objetivo de enfrentar o tráfico e recuperar carros furtados. Durante a ação, um ônibus acabou incendiado. De acordo com a PM, agentes foram atingidos por objetos arremessados de drones, e um bunker foi localizado embaixo de um pet shop. Três pessoas foram detidas. A corporação informa que a ocupação não possui data para acabar.

Os ataques desta sexta não são casos isolados. Até quinta-feira, segundo o Rio Ônibus, pelo menos 135 coletivos haviam sido apropriados e empregados como barricadas no estado em 2026. Somados os seis desta sexta, chegam a 141 em dez meses, um caso a cada dois dias, aproximadamente.

Quem está ao volante também sente os efeitos. O Sindicato dos Rodoviários contabiliza 322 solicitações de afastamento de condutores por questões psicológicas neste ano. O porta-voz da entidade, Antônio Bustamante, relata que o número de atendimentos psicológicos a motoristas e seus familiares subiu de 25, em junho do ano passado, para cerca de 110 por mês. Já o presidente do sindicato, José Maria, sintetiza: "O estado perdeu totalmente o controle sobre o território".

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, em 2025, o estado contabilizou 4.449 roubos de ônibus.

Durante a transição, a mudança mais cotada para a área é reconduzir a Secretaria de Segurança ao comando do planejamento das polícias Civil e Militar, função que a pasta deixou em 2019. No modelo discutido na proposta de lei, os chefes das duas corporações passariam a se reportar a um secretário. Essa alteração, porém, ainda não foi oficializada.

Em outubro, Ruas afirmou: "A segurança pública é prioridade. Em breve, vamos anunciar os nomes por meio de coletivas de imprensa". Os secretários atuais tinham até esta sexta-feira (30) para repassar à equipe de transição os relatórios sobre as contas e os projetos de suas pastas.

Presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Ruas venceu no primeiro turno com 50,88% dos votos válidos, após a totalização refeita que desconsiderou os votos de Anthony Garotinho, cuja candidatura foi barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral. A diplomação está prevista para 18 de dezembro.

A posse foi marcada para 6 de janeiro, data determinada pela Emenda Constitucional 111, de 2021. Até lá, a responsabilidade pela segurança do estado cabe ao governador em exercício, o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro.

Com informações de www.ururau.com.br.

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