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Polícia

Encosta sem concluir preocupa moradores do Morro do Cristo, em Itaperuna, e ônibus seguem fora de rota

Com a Defesa Civil em alerta para temporais e deslizamentos em Itaperuna por causa do El Niño, moradores do Morro do Cristo cobram a finalização das obras de contenção. Sem ônibus circulando, a comunidade também reclama de falta de água.

Encosta sem concluir preocupa moradores do Morro do Cristo, em Itaperuna, e ônibus seguem fora de rota
Imagem da reportagem

Um alerta emitido pela Defesa Civil sobre a chance de temporais e deslizamentos de terra em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, provocados pelos efeitos do El Niño, expõe os perigos vividos por quem mora em regiões de encosta.

No Morro do Cristo, os moradores exigem que as obras de contenção sejam concluídas e que o poder público adote mais medidas preventivas.

Cerca de cinco anos atrás, em meio a um temporal, uma parte do barranco se desprendeu e o muro de uma residência veio abaixo com a família ainda dentro do imóvel. Desde então, essas pessoas saíram do local e passaram a morar em outro endereço com o auxílio do aluguel social. De acordo com o morador, a obra de reconstrução do muro foi iniciada, porém nunca foi finalizada.

“Começaram a fazer o muro, fizeram uma parte, mas falta a outra parte, que são as laterais. E a parte de baixo também desceu, que é o que sustenta a rua”, contou.

Conforme o relato, o trecho segue apresentando perigo, e os ônibus deixaram de passar por ali em razão da chance de novos deslizamentos.

“Hoje nem passa mais ônibus. Por quê? Por causa do perigo de o ônibus ser muito pesado e deslizar, descer com as pessoas dentro. Então, hoje nós estamos sem condução pública por causa desse deslizamento que aconteceu. Desde aquela época, há cerca de cinco anos, o perigo ainda existe”, afirmou.

Além da conclusão das obras, o morador solicita que a Defesa Civil intensifique as orientações nos bairros, com o objetivo de instruir a população sobre como proceder durante chuvas intensas. Para ele, as mensagens veiculadas somente nas redes sociais não chegam a todos.

“Como é que as pessoas vão fazer para se preparar se elas não sabem como fazer? Muitos não têm acesso às redes sociais. Então, alguém da área, Defesa Civil, ou sei lá quem que seja, precisa preparar os moradores, não só do nosso bairro, mas da cidade toda”, disse.

O morador também critica a escassez recorrente de água na localidade, dizendo que a situação atinge sobretudo famílias com crianças e pessoas idosas.

“Tem moradores, tem criança. A falta d'água aqui é constante. Tem mulheres com criança pequena, tem idosas que precisam. E a conta d'água, a maioria que vocês veem está todo mundo certinho, ninguém deve nada à Cedae”, relatou.

A Defesa Civil recomenda que quem vive em áreas de encosta fique atento a indícios como fissuras nas paredes, aparecimento de água no solo e deslocamento de terra. Para solicitar vistoria, a população pode ligar para o telefone (22) 3824-6334. Já o serviço de alertas por mensagem de texto funciona com o envio do CEP ao número 40199.

O que diz a Prefeitura

Segundo a Prefeitura de Itaperuna, a empresa encarregada da obra deixou de finalizar o aterro do local e poderá ser punida administrativamente. A Secretaria de Obras, de acordo com o município, analisa a possibilidade de concluir a intervenção com verbas que restaram do contrato.

A gestão municipal acrescentou que a Defesa Civil continua acompanhando a região e atualizando o mapa de risco das encostas. Em relação ao retorno dos ônibus, ele depende de uma obra de contenção na Rua Severino Ribeiro, cuja licitação ainda aguarda andamento.

No que se refere à família mencionada, a prefeitura esclareceu que ela segue recebendo o aluguel social e que o auxílio será mantido enquanto as condições de risco e vulnerabilidade apontadas pelas equipes técnicas permanecerem.

Com informações de G1 Norte Fluminense.

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