Quase 3 milhões de jovens de 10 a 14 anos seguem com a dose da dengue em aberto
Parte expressiva dos adolescentes que iniciaram a imunização contra a dengue ainda precisa voltar aos postos para a segunda aplicação. Ministério da Saúde também reconhece estoque parado e suspensão da vacina do Butantan.
Um número superior a 3 milhões de adolescentes do país que já tomaram a primeira injeção contra a dengue ainda não concluíram o esquema. As informações do Ministério da Saúde indicam que, mesmo com o avanço da campanha, um contingente considerável do público-alvo deve procurar novamente as unidades de saúde para tomar a segunda dose, etapa indispensável para finalizar a imunização.
Os números foram expostos por Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações. O evento aconteceu no Rio de Janeiro, na semana passada.
De acordo com os dados divulgados, o Brasil já aplicou mais de 11,8 milhões de doses. Desse montante, 7,6 milhões foram a primeira aplicação e 4,2 milhões a segunda. Ademais, quase 4 milhões de doses que já foram enviadas aos municípios continuam sem uso.
As autoridades sanitárias demonstram preocupação com a chegada do verão, época em que os registros de dengue tendem a crescer no território nacional. A pasta também avalia a hipótese de um aumento mais forte das infecções nesta estação, por causa da atuação do El Niño, fenômeno climático.
No SUS, a vacina Qdenga é a utilizada na campanha, e seu uso requer duas doses separadas por um intervalo de três meses. A imunização só é considerada completa após a aplicação da segunda dose.
Hoje, a imunização gratuita contra a dengue atende crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em todas as regiões do país. A ação teve início nas cidades com maior incidência da doença e, aos poucos, foi se expandindo até cobrir o Brasil inteiro.
A definição da faixa etária considerou as pesquisas existentes no momento em que o imunizante entrou no SUS. Naquela ocasião, as evidências mais sólidas sobre segurança envolviam pessoas entre 4 e 16 anos, e, dentro desse intervalo, os jovens de 10 a 14 anos tinham mais chance de desenvolver quadros graves da doença.
Durante o evento, Eder Gatti apontou os obstáculos para estimular a vacinação dos adolescentes, sobretudo nos momentos em que a dengue circula menos.
"Vacinar adolescente, sem eles terem percepção de risco, é muito difícil. No caso da dengue, o ideal é vacinar no período intersazonal, para que a pessoa entre na sazonalidade protegida", afirmou.
Pais e responsáveis são orientados a checar a caderneta de vacinação, a fim de confirmar se a segunda dose já foi aplicada ou qual é a data prevista para ela.
Quase 4 milhões de doses seguem sem uso
Outro indicador divulgado pelo PNI envolve o volume de imunizantes enviados às cidades que continua parado. São quase 4 milhões de unidades disponíveis na rede pública que ainda não foram aplicadas no público-alvo.
Segundo o Ministério da Saúde, essa situação se verifica mesmo com o abastecimento da faixa etária coberta pela campanha garantido.
A farmacêutica japonesa Takeda, que fabrica a Qdenga, tem capacidade produtiva restrita diante da necessidade de toda a população do país. Por esse motivo, a oferta pública continua limitada ao grupo de 10 a 14 anos.
O governo brasileiro tem contrato para receber 9 milhões de doses em 2026 e mais 9 milhões em 2027, somadas às remessas feitas em 2024 e 2025.
Ainda não há decisão sobre estender a campanha a pessoas de outras faixas etárias. Conforme Eder Gatti, a escolha depende de questões ligadas à segurança, à capacidade de execução e aos recursos necessários para atender um grupo maior.
Com a aproximação de meses mais quentes e chuvosos, o Ministério da Saúde ressalta a necessidade de elevar a cobertura vacinal antes que o vírus circule com mais intensidade.
Vacina do Butantan segue com aplicação suspensa
Enquanto a Qdenga continua sendo aplicada, a vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan segue com o uso interrompido.
O Ministério da Saúde determinou essa interrupção em junho de 2026, depois de registrar três casos de dengue grave, sendo dois deles fatais, entre mais de 500 mil pessoas imunizadas com o produto.
Não existe ligação causal comprovada entre a vacina e as ocorrências. Ainda assim, os episódios foram tratados como um sinal de segurança que demanda investigações e estudos adicionais antes de a aplicação ser retomada.
Para Eder Gatti, a paralisação não significa o fim do imunizante, e sim a necessidade de esclarecer o que aconteceu.
"Isso não cancela a vacina, mas nós temos a necessidade de avaliar com estudos complementares se, de fato, o sinal de segurança representa algo que compromete", explicou.
O diretor do PNI definiu a vacina nacional como uma grande esperança para ampliar a proteção da população brasileira.
Antes da suspensão, a previsão era imunizar entre 40 milhões e 60 milhões de pessoas por ano, o que permitiria cobrir todo o público elegível em cerca de três anos.
Para que esse cronograma volte a valer, é preciso concluir antes as avaliações de segurança.
A paralisação da vacina do Butantan não modifica a campanha da Qdenga, que segue disponível pelo SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, de acordo com o calendário definido pelo Ministério da Saúde.
Com informações de www.ururau.com.br.
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