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Polícia

Servidora da Procuradoria macaense se vê alvo de inquérito após publicação com ataques a grupos inteiros

Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro, procuradora do município, fez postagens contra petistas, nordestinos e mineiros; a Polícia Civil abriu inquérito e a OAB repudiou as falas.

Servidora da Procuradoria macaense se vê alvo de inquérito após publicação com ataques a grupos inteiros
Imagem da reportagem

Na terça-feira (27), a procuradora do município de Macaé (RJ), Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro, publicou nas redes sociais um texto em que afirma que deixará de elaborar políticas públicas destinadas a petistas, chamando-os de "esse tipo de gente". Na mesma mensagem, ela recomendou que empresas e microempresas evitassem contratar "artistas, pobres nordestinos e mineiros".

Diante da repercussão, a Polícia Civil comunicou que instaurou um inquérito para apurar o episódio. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também divulgou posicionamento de repúdio às declarações.

"Petistas não vão trabalhar pra mim, não vou fazer mais política pública pra poder ajudar esse tipo de gente. Aconselho a todos os empresários, microempresários a não contratarem artistas, pobres nordestinos e mineiros", afirmou um trecho da publicação.

Em seguida, o texto prossegue com outra frase considerada ofensiva: "Aliás, mineiros saem de Macaé! Já basta o Espírito Santo que vocês invadem feito tralha". A procuradora ainda declarou que recebe um bom salário e que "Eu e meus filhos vão ter tudo do bom e do melhor".

Depois que o caso ganhou repercussão, voltaram a circular na rede social X publicações antigas atribuídas à procuradora. Em uma delas, de 2025, ela escreveu que, caso pudesse, "metralhava" pessoas de esquerda.

Na postagem citada, a servidora classificou apoiadores da esquerda como "nazistas" e afirmou que "estamos em guerra mesmo", além de escrever "Morte aos esquerdistas". Segundo a reportagem, Renata disse que não pretende apagar essas mensagens.

A OAB ressaltou que a liberdade de expressão não permite discriminação, hostilidade ou exclusão de pessoas por causa de sua origem, condição social, orientação sexual ou posicionamento político.

O caso também chegou à Câmara Municipal de Macaé. Na sessão de terça-feira, vereadores condenaram as falas e defenderam que o episódio fosse apurado. O presidente da Casa, Luciano Diniz, disse aguardar que a situação seja encaminhada à Procuradoria para que sejam tomadas as providências cabíveis.

O PT de Macaé igualmente se posicionou por meio de nota assinada pelo presidente da legenda, professor Paulo Henrique. Segundo o documento, as declarações vão além da disputa política e atingem a dignidade de quem vive e trabalha no município.

A sigla informou ainda que procurou o Ministério Público e a Ouvidoria-Geral do Município para solicitar a investigação e a adoção de medidas adequadas, caso fique comprovada alguma conduta ilícita, assegurando o direito de defesa.

A Prefeitura de Macaé comunicou que o caso foi remetido à Procuradoria-Geral do Município e que as medidas administrativas possíveis estão em análise pelos órgãos responsáveis. A gestão municipal também declarou que as falas atribuídas à servidora não refletem os valores nem a posição institucional da cidade.

Em entrevista ao g1, Renata afirmou que as publicações estavam em perfis privados e disse ter sido traída por pessoas próximas, que fizeram capturas de tela e as divulgaram.

Na conversa, ela reconheceu: "Eu tava de cabeça quente, realmente, quando eu mandei os nordestinos. Os mineiros, inclusive, meu pai é mineiro, tá? Meu pai falecido, era mineiro, meu avô é mineiro. Tava de cabeça quente, como milhares de pessoas fizeram isso. É uma loucura, tô sendo ameaçada de morte".

Ao tratar da orientação para que empresas não contratassem petistas, a procuradora argumentou: "Eu, como procuradora, continuaria fazendo minhas políticas públicas como eu sempre fiz, agindo com imparcialidade, com integralidade dos meus atos. Agora, eu falei: 'Não dê emprego'. Pô, quando a gente tá de cabeça quente, a gente fala umas coisas que não fala, né?... Você tá entendendo? A gente bota filho de castigo, a gente faz milhões de coisas."

Questionada sobre um eventual arrependimento, respondeu: "Eu publiquei no meu perfil privado do Facebook. Nem do Instagram foi. No meu perfil privado do Facebook, eu falei de cabeça quente. Até umas pessoas pegaram e falaram assim: 'Tira, tira'. Não tem como tirar, não tiro mais não, porque seria um ato covarde meu."

Com informações de G1 Norte Fluminense.

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