Jair Renan não virou réu por lavagem de dinheiro: notícia repetia decisão de 2024
Jair Renan não virou réu nesta semana. A decisão citada pelo Correio Braziliense é de 2024, e as acusações foram trancadas pelo TJDFT e pelo STJ
ERRATA: A primeira versão desta matéria, publicada às 16h59 de 29/10/2026 com o título “Jair Renan vira réu por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica”, informava, com base no Correio Braziliense, que ele havia se tornado réu nesta semana. A informação estava errada: a decisão citada é de março de 2024, e as acusações contra ele foram depois trancadas pelo TJDFT e pelo STJ. O texto foi corrigido. Lamentamos o erro.
Jair Renan Bolsonaro (PL) não se tornou réu nesta semana por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A decisão apresentada como nova pelo Correio Braziliense nesta quinta-feira (29), e reproduzida por outros sites, é de 25 de março de 2024. Depois dela, as acusações contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foram trancadas pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A reportagem dizia que a 5ª Vara Criminal havia recebido, “na segunda-feira (26)”, a denúncia contra Jair Renan e outras cinco pessoas, com prazo de dez dias para as defesas. Os dados são os mesmos de uma matéria publicada pelo próprio Correio em 27 de março de 2024, sobre a decisão daquela semana, incluindo os R$ 291 mil em empréstimos e o documento que atribuía R$ 4,6 milhões de faturamento anual à empresa RB Eventos e Mídia.
Defesa fala em notícia falsa
Em nota divulgada nesta quinta-feira, o advogado Admar Gonzaga, que defende Jair Renan, afirmou que a informação era falsa e que o jornal publicou uma errata depois de ser contestado. Segundo a defesa, a reportagem foi assinada pelo jornalista Renato Souza e depois reproduzida por outros portais e redes sociais.
A nota também contesta o trecho que dizia que a equipe jurídica de Jair Renan havia sido procurada antes da publicação. Segundo os advogados, esse contato não ocorreu. A defesa afirma que a divulgação causou prejuízos à imagem e à reputação dele, que a correção não chega necessariamente a todos que leram a versão original e cobra rigor na apuração de notícias que atribuem a alguém “uma condição processual inexistente”.
Do recebimento da denúncia ao trancamento
O caso começou com uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal sobre o suposto uso de documentos falsos de faturamento da RB Eventos e Mídia, empresa ligada a Jair Renan, para obter empréstimos bancários entre 2022 e 2023. Em março de 2024, o Ministério Público denunciou o grupo, e a 5ª Vara Criminal da Justiça do DF recebeu a denúncia contra Jair Renan e outras cinco pessoas por falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.
Desde o início, Jair Renan nega ter pedido os empréstimos e diz não reconhecer as assinaturas nas declarações de faturamento. A defesa sustenta que ele foi vítima de um golpe.
O TJDFT trancou primeiro as acusações de falsidade ideológica e de uso de documento falso. Segundo o Metrópoles, os desembargadores entenderam que não houve demonstração de prejuízo, porque a dívida com o banco foi quitada, e que faltavam provas mínimas de dolo.
Restou a acusação de lavagem de dinheiro. No STJ, o ministro Messod Azulay Neto suspendeu a ação por liminar e, em fevereiro de 2026, concedeu habeas corpus para trancá-la. Para o ministro, sem crime antecedente não existe produto de crime a ser ocultado. A decisão menciona a “patente atipicidade da conduta”. Com isso, deixou de existir a última acusação contra Jair Renan no caso, que tramita sob segredo de Justiça.
Na esfera cível, Jair Renan fechou acordo com o Santander no início de 2025 para pagar à vista uma dívida de R$ 409 mil, ligada aos empréstimos, segundo a CartaCapital.
Deputado federal eleito
Jair Renan é vereador em Balneário Camboriú (SC) e foi eleito deputado federal por Santa Catarina em outubro, pelo PL. A posse na Câmara dos Deputados está marcada para fevereiro de 2027.
Com informações de www.ururau.com.br.
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