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Política

Em vídeo, procuradora de Campos pede acolhimento a eleitores de Lula e lamenta resultado

A procuradora de Campos dos Goytacazes Flávia Chalita, eleitora de Flávio Bolsonaro, gravou mensagem de conciliação após a eleição presidencial, em contraste com episódio investigado em Macaé.

Em vídeo, procuradora de Campos pede acolhimento a eleitores de Lula e lamenta resultado
Imagem da reportagem

Depois de ver seu candidato derrotado na disputa presidencial, a procuradora do município de Campos dos Goytacazes, Flávia Trindade Chalita, divulgou um vídeo em que pede respeito entre cidadãos com visões políticas opostas. Declarada apoiadora de Flávio Bolsonaro, ela disse estar profundamente abatida com a escolha de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, mas optou por um tom de união, solidariedade e consideração pelos eleitores que votaram de outra forma.

Na gravação, que tem cerca de oito minutos e quarenta segundos, Flávia relata que ficou arrasada com o desfecho da votação de domingo (25). No decorrer da fala, porém, ela se apoia na fé cristã para justificar a aceitação do resultado e a convivência entre quem pensa à direita e quem pensa à esquerda, sem renunciar às próprias crenças políticas.

“Eu oro pela vida do presidente Lula, oro pela vida de todos os petistas, dos bolsonaristas, do pessoal de esquerda, do pessoal de direita. Quero dizer que nós somos um povo só”, declarou.

Dirigindo-se aos apoiadores de Flávio Bolsonaro, a procuradora admitiu a decepção com a derrota, mas sustentou que diferenças partidárias não podem minar o respeito ao semelhante. Em determinado trecho, pediu que seus seguidores felicitassem os rivais políticos sem guardar rancor.

“Se você tiver que parabenizar um petista, parabeniza com o coração aberto, com o coração sem mágoa, sem nada”, afirmou. Logo depois, voltou-se aos amigos que apoiam o PT e declarou: “Quero dizer que eu amo vocês, continuo amando”.

Flávia também defendeu que se adote uma atitude de cooperação com a nova gestão federal. “Vamos colaborar com o governo, vamos fazer o nosso melhor, continuar dando o nosso melhor pelo próximo, amando, respeitando e louvando o nome de Deus”, disse.

A procuradora deixou claro que não enxerga o governo do PT como o mais adequado para o país e que segue firme em suas convicções conservadoras. Ela também citou a hipótese de se debaterem eventuais irregularidades no pleito, embora não tenha apresentado qualquer prova de fraude. Para ela, a mensagem central é que a derrota nas urnas não deve abalar o empenho com o respeito, a fé e a convivência entre os brasileiros.

O posicionamento de Flávia contrasta com o caso ocorrido em Macaé, onde a procuradora Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro é alvo de apuração. Segundo o Ururau, que divulgou a informação na quarta-feira (28), a Polícia Civil abriu inquérito para averiguar publicações em que a servidora hostilizou petistas, nordestinos, mineiros e outros grupos.

“Petistas não vão trabalhar pra mim, não vou fazer mais política pública pra poder ajudar esse tipo de gente”, escreveu Renata em uma das mensagens divulgadas. Ela também recomendou a empresários que não contratassem artistas e pessoas pobres oriundas de determinadas regiões do país.

As falas geraram repúdio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de parlamentares e de diversas entidades. A Prefeitura de Macaé comunicou que enviou o caso à Procuradoria-Geral do Município, para que sejam avaliadas as providências administrativas cabíveis, e declarou que as palavras não refletem a posição institucional do governo municipal.

Depois da repercussão, Renata afirmou que publicou as mensagens sob forte emoção, relatou estar sendo ameaçada e garantiu que seguiria atuando com imparcialidade no exercício do cargo público.

Apesar de o vídeo de Flávia Chalita não citar Renata nem tratar diretamente do episódio de Macaé, as duas manifestações revelam atitudes distintas diante da polarização após as eleições. Em Campos, a procuradora expressa discordância com o resultado das urnas sem atacar quem escolheu outro candidato. Sua fala preserva a liberdade de opinião política e, ao mesmo tempo, enaltece o respeito, a convivência democrática e o cuidado com o próximo.

Com informações de www.ururau.com.br.

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