Xadrez no Ciep Wilson Batista: de aula de Educação Física a projeto selecionado pelo MEC
Alunos do Parque Guarus aprendem a planejar jogadas e a lidar com vitórias e derrotas. Depois de um torneio aberto, a escola inicia o Interclasse de Xadrez, e a iniciativa foi escolhida pelo MEC em 2026.
Refletir antes de deslocar uma peça, fazer cálculos sobre os lances possíveis e saber encarar tanto o triunfo quanto a derrota são competências trabalhadas em cada disputa do Clube de Xadrez do Ciep Wilson Batista, localizado no Parque Guarus. Após promover um torneio aberto ligado ao programa Mais Ciência na Escola, a unidade dá início, na quinta-feira (29), a outra competição: o Interclasse de Xadrez, destinado a alunos do 6º ao 9º ano. A proposta junta aprendizado, boa convivência e raciocínio estratégico, e faz parte de uma experiência pedagógica escolhida pelo Ministério da Educação (MEC), em 2026, entre as iniciativas inspiradoras de Educação Integral em Tempo Integral.
O percurso teve início em 2017, quando a professora de Educação Física Heloisa de Fátima dos Santos incluiu o xadrez nas aulas regulares. Foi o entusiasmo da turma que motivou, em 2019, a fundação do clube, com a finalidade de dar mais espaço ao jogo em horários alheios às aulas. Hoje, o grupo reúne 25 integrantes frequentes, além de outros 15 que aparecem sobretudo nas competições internas. Paralelamente, a atividade acompanha a pesquisa intitulada “O uso do xadrez como ferramenta pedagógica”, vinculada ao Mais Ciência na Escola e amparada pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct).
Na avaliação de Heloisa, a permanência do projeto possibilitou ampliar as chances de participação dos estudantes. “O clube começou devido à necessidade de praticar o xadrez fora das aulas em sala, no Wilson Batista”, afirma a docente, que trabalha na rede municipal desde 2004 e já empregava o jogo como recurso didático em outras escolas. A iniciativa vai além do ensino das regras e da preparação para competições, pois estimula o pensamento lógico, a solução de problemas, a concentração, a paciência e a reflexão sobre as consequências de cada escolha.
A agenda esportiva prossegue com a largada do interclasse, que aceitará alunos de todos os anos atendidos pela escola, sem restrição de idade, bastando saber jogar. Os competidores vão disputar partidas em busca de medalhas e brindes reservados aos três primeiros colocados. A disputa leva o xadrez a um público maior do que o formado pelos membros habituais do clube. Já em dezembro, está previsto um novo torneio, direcionado aos estudantes que tomam parte da iniciativa. Essa sequência de eventos mantém a modalidade na rotina da escola e abre caminho para que mais alunos a conheçam.
Segundo a diretora da unidade, Thatiana Barbosa de Souza, os ganhos observados extrapolam o campo intelectual. “O xadrez, dentro da unidade escolar, é importante porque vai além do jogo. Ele contribui para o desenvolvimento intelectual, social e emocional dos alunos”, declara. Ela ressalta que a interação nas partidas estimula o cumprimento das regras, a disciplina e o autocontrole diante de perdas e frustrações. Thatiana também nota que alunos mais tímidos, que antes participavam pouco de outras atividades, passam a encontrar no clube chances de se relacionar, fazer amizades e trocar saberes.
Entre as alunas do 6º ano, Mariah dos Santos Mendes percebe transformações na forma como analisa situações do dia a dia. “O xadrez me ensinou a pensar mais antes de fazer. Depois que começamos a jogar, sem perceber, passamos a pensar mais nas coisas”, conta. Isadora Silva Freitas também atribui à modalidade avanços pessoais. “O xadrez me deu mais foco em tudo, nos outros esportes, nos estudos, e tirou a ansiedade que me atrapalhava muito. Também me deu mais paciência, por ter que esperar meus oponentes fazerem a jogada”, relata. Os testemunhos revelam como as estudantes ligam o que aprenderam com o jogo a circunstâncias que ultrapassam o tabuleiro.
Em junho de 2026, a escola ganhou destaque nacional, quando o projeto “Clube de Xadrez Escola Wilson Batista” foi escolhido pelo MEC no edital que mapeia experiências inspiradoras de gestão e de projetos pedagógicos de Educação Integral em Tempo Integral, dentro do eixo Currículo Integrado. A distinção evidencia o trabalho da unidade entre as iniciativas educacionais escolhidas no país e reforça a relevância de propostas que conectam diversas dimensões da formação discente. Ao combinar aulas, pesquisa e torneios, o clube preserva o xadrez como atividade educativa e coletiva, em que cada lance representa a chance de exercitar o raciocínio, respeitar o oponente e aprender com as próprias decisões.
Com informações de CAMPOS 24HORAS.
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