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UENF divulga carta contra intolerância e em favor do voto livre, dois dias antes da escolha do presidente

O Conselho Universitário da UENF publicou nota em que exalta a democracia, a escola pública e a ciência, e rejeita agressões e desinformação. O texto saiu dois dias antes da votação presidencial.

UENF divulga carta contra intolerância e em favor do voto livre, dois dias antes da escolha do presidente
Imagem da reportagem

A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), sediada em Campos dos Goytacazes, tornou pública uma nota do seu Conselho Universitário (CONSUNI) com posicionamento a favor da democracia, do ensino público e da livre manifestação de ideias. A divulgação aconteceu dois dias antes do segundo turno da disputa presidencial, previsto para domingo (25).

O texto foi colocado no ar na sexta-feira (23), mas leva a data de 22 de outubro e traz a assinatura de membros do colegiado. Nele, o regime democrático aparece ligado à autonomia das instituições de ensino, ao trabalho científico e ao direito de debater opiniões.

O Conselho sustenta que sem democracia as universidades não funcionam bem e o país não se desenvolve. Segundo o documento, “A democracia é um requisito indispensável para a autonomia universitária, para a liberdade de expressão e para o debate de ideias. Não há avanço social ou ciência de qualidade sem um ambiente democrático”.

A nota também trata do papel das universidades na formação de cidadãos e na ampliação da igualdade de oportunidades. Os conselheiros apontam o ensino público, gratuito e de qualidade como direito da população e dever do Estado.

Para o grupo, a ciência precisa seguir parâmetros éticos. O texto registra: “Acreditamos na ciência pautada pela ética e rejeitamos o negacionismo e a desinformação”.

O colegiado ainda defende que as instituições sejam inclusivas e levem em conta a equidade social, racial e de gênero, bem como a acessibilidade. De acordo com a nota, tais garantias valem tanto para a entrada dos estudantes quanto para a permanência deles no ensino superior.

O manifesto surge nos dias finais da campanha presidencial de 2026, período em que democracia, educação e o papel das instituições públicas estão no centro do debate nacional.

Outro eixo do documento é a recusa a casos recentes de violência, intimidação e intolerância em universidades públicas. Os conselheiros afirmam que esses espaços devem assegurar convivência respeitosa e diálogo pacífico, sem tolerar ofensas físicas, verbais, patrimoniais ou psicológicas.

Conforme o texto, “Qualquer tipo de agressão — física, verbal, patrimonial ou psicológica — atenta contra a instituição e o patrimônio público”. A nota ainda liga a liberdade de expressão ao cumprimento das leis.

Na visão dos membros do CONSUNI, as instituições devem investigar responsabilidades, amparar as vítimas e manter um ambiente acadêmico seguro e plural. A nota não cita, um a um, os episódios de violência a que se refere, e se concentra na defesa de princípios de convivência no meio universitário.

Na parte final, o Conselho afirma que resguardar a universidade pública e manter os investimentos em ciência, tecnologia e inovação cabe a toda a sociedade. O documento também defende que as decisões sobre o futuro do país tenham participação coletiva.

“Não podemos permitir retrocessos no desenvolvimento do nosso país. O futuro que queremos construir depende da responsabilidade e do compromisso de cada um de nós em nossas escolhas diárias e coletivas em defesa da educação e da democracia”, diz a nota.

Entre os signatários estão Rosana Rodrigues, Fábio Lopes Olivares, Alexandre Pio Viana, Ana Paula L. Caputo F. M. Sousa e Marcos Antônio Pedlowski, além de outros representantes do colegiado. A íntegra pode ser lida no portal oficial da universidade.

Com informações de www.ururau.com.br.

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