Pronera ganha nova turma em Babosa: 28 estudantes do campo voltam às salas de aula
Começou na semana passada, na Escola Municipal Francisco Ribeiro Siqueira, em Babosa, a primeira aula do Pronera com 28 matriculados, entre produtores rurais e moradores de assentamentos de Campos.
Representantes da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia estiveram presentes na abertura das atividades do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) na Escola Municipal Francisco Ribeiro Siqueira, localizada em Babosa. A subsecretária de Ensino, Celia Maria Ferreira, acompanhou o encontro ao lado da coordenadora da Educação de Jovens e Adultos (EJA), Simone Barreto. Ao todo, 28 estudantes se matricularam na turma, que teve início na semana passada na unidade. Entre eles estão produtores rurais da própria região e moradores dos Assentamentos de Ilha Grande e Che Guevara.
O Pronera é uma iniciativa federal administrada pelo Incra, cuja finalidade é levar ensino a trabalhadores do campo, assentados, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e educadores rurais. Para isso, o programa reúne movimentos sociais e sindicais, instituições de ensino superior como universidades e institutos federais, além dos governos federal e municipal. Em outras palavras, trata-se de um trabalho em rede que envolve diferentes atores.
Segundo Célia, a meta consiste em ampliar o acesso ao saber e estimular o crescimento sustentável em áreas de reforma agrária e em comunidades tradicionais. A oferta começa na alfabetização e na EJA e chega a cursos técnicos, a graduações como Pedagogia da Terra, Direito, Geografia e Medicina Veterinária, e também a pós-graduações.
“Ele valoriza a diversidade cultural e utiliza a Pedagogia da Alternância para conectar o estudo à realidade do campo, da floresta e das águas. É uma honra ver nascer mais uma turma de homens e mulheres que, agora, voltam a estudar e mudam de perspectiva sobre o futuro de suas famílias. Desejamos perseverança e sucesso a cada um”, declarou Célia.
Na mesma linha, Célia afirmou que a escolarização, quando funciona como ferramenta de cidadania e mudança social, abre espaço para que as pessoas voltem a sonhar. “Partilhar desse momento com o início de mais uma turma do Pronera nos traz um desejo que a educação avance mais e alcance aqueles que tanto sonham em aprender e evoluir através do conhecimento. É inegável que ver brilho, esperança nos olhos daqueles que já vivenciaram momentos na escola e que retornam, renova o compromisso da Seduct com políticas públicas que, de fato, possibilitem melhores oportunidades”, afirmou.
Simone detalhou que, no município de Campos, a proposta nasce de uma cooperação técnica reunindo a Prefeitura, através da Seduct, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF) e o Incra. Segundo ela, a administração municipal assegura o transporte escolar para que os estudantes frequentem as aulas até o fim do curso. “Atualmente, temos 28 alunos matriculados, mas, ao todo, temos 35 vagas disponíveis e, desta forma, continuamos buscando os demais alunos para ocuparem as últimas vagas”, disse Simone.
Eduardo Moreira, docente do IFF Campus Bom Jesus do Itabapoana, atua como coordenador pedagógico do Pronera. Ele lembrou que o programa surgiu da mobilização de movimentos sociais e que se destina aos beneficiários da reforma agrária.
“Usamos uma metodologia pedagógica que reflete sobre a realidade dos sujeitos do campo, a partir da modalidade da educação do campo, utilizando a pedagogia da alternância inspirada na educação popular e educação freiriana. Trabalhamos os componentes curriculares de cada disciplina pensando a problematização da realidade desses sujeitos. Portanto, é de grande importância para o desenvolvimento territorial e do trabalho desses sujeitos, pois temos o trabalho como um dos eixos geradores”, explicou.
Uma das alunas, Dayani Rangel Machado, manifestou alegria por retomar os estudos. Em sua fala, ela disse que a oportunidade fará com que todos cresçam ainda mais. “Obrigada por tudo, por todos os companheiros de sala de aula, professores que tratam a gente muito bem, explicam muito bem as coisas, tudo direitinho, então, estou muito feliz e só tenho que agradecer. Além da gente estudar, a gente conversa com outras pessoas, interage com eles, ri, é até bom pra autoestima da gente, pro nosso bem-estar, conversamos tanto na hora da alimentação, pois recebemos a janta, quanto na hora do intervalo, estamos tendo uma ótima experiência, estou até sem palavras”, disse.
Dayani também contou que a convivência com colegas e educadores vai além dos conteúdos, já que os encontros proporcionam conversas, risos e troca com outras pessoas. Segundo ela, essa interação faz bem à autoestima e ao bem-estar, e os alunos conversam tanto durante a refeição, que inclui a janta, quanto no intervalo das aulas.
Com informações de CAMPOS 24HORAS.
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