Exposição em Campos apresenta dez cientistas que mudaram a história, de Marie Curie a Neusa Amato
Totens no Jardim São Benedito, em Campos, contam a trajetória de dez pesquisadoras na mostra "Ciência Delas", parte da edição de 2026 do evento nacional de ciência. Entre elas estão Marie Curie e a campista Neusa Amato.
Uma física nascida em Campos, Neusa Amato, e a cientista francesa Marie Curie, conhecida no mundo todo por seus estudos sobre radioatividade, figuram entre as dez mulheres lembradas na 13ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). O evento acontece no Jardim São Benedito, em Campos, e traz o tema “Ciência Delas”.
A mostra utiliza totens com fotografias e dados biográficos das pesquisadoras. Ela põe em evidência o que cada uma descobriu e levou de benefício à agricultura, à saúde, à engenharia, aos estudos da linguagem e ao entendimento da sociedade. Quem realiza a programação é a Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), através de sua Gerência de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia.
Johanna Döbereiner (1924-2000) pesquisou bactérias que fixam nitrogênio. Seu trabalho ajudou a diminuir o uso de adubos químicos e favoreceu uma agricultura mais sustentável, sobretudo nas lavouras de soja e de cana-de-açúcar. Já Marie Curie (1867-1934) revolucionou o saber sobre radioatividade e, ao lado de Pierre Curie, descobriu o polônio e o rádio. Ela foi a primeira pessoa a conquistar dois Prêmios Nobel em campos científicos distintos: Física e Química.
“Essas histórias mostram como a pesquisa pode mudar setores inteiros da sociedade, da produção de alimentos ao conhecimento sobre a matéria”, destaca Carla Salles. Ela é gerente de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia da Seduct e organiza a SNCT.
A ciência brasileira atual aparece na figura de Jaqueline Goes de Jesus. A biomédica fez parte do grupo que sequenciou o genoma do coronavírus SARS-CoV-2 no país em aproximadamente 48 horas depois de confirmado o primeiro caso de covid-19, em 2020, o que ajudou a monitorar a evolução e a propagação do vírus. Tatiana Sampaio, da biotecnologia, estuda a polilaminina, molécula analisada pelo potencial no tratamento de lesões na medula espinhal. As duas trajetórias mostram como o conhecimento científico vira ferramenta contra problemas de saúde.
Na engenharia, a homenageada é Enedina Alves Marques (1913-1981), que em 1945 se tornou a primeira mulher negra formada em Engenharia Civil no Brasil. Numa carreira tradicionalmente masculina, participou de obras de infraestrutura, entre elas as ligadas à Usina Hidrelétrica Capivari-Cachoeira, no Paraná. Na física, Neusa Amato (1926-2015), natural de Campos, foi precursora nas pesquisas sobre partículas e raios cósmicos no Brasil. Do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), assinou o primeiro artigo científico da instituição e passou décadas investigando fenômenos de alta energia.
Outras duas homenageadas aprofundaram a compreensão da formação cultural e social do país. A antropóloga, intelectual e professora Lélia Gonzalez (1935-1994) é referência nos estudos que relacionam raça, gênero, cultura e sociedade. A linguista Yeda Pessoa de Castro dedicou a carreira a pesquisar as línguas africanas e sua influência sobre o português falado aqui, ajudando a reconhecer o peso da presença africana na identidade nacional.
“A presença dessas pesquisadoras permite mostrar às novas gerações que a ciência é construída em diferentes campos do conhecimento e que suas descobertas ajudam a compreender e transformar o mundo”, afirma Carla Salles.
A produção científica da região é representada por Rosana Rodrigues, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), onde atua desde a criação da instituição. Professora e pesquisadora do Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal, trabalha com genética e melhoramento de plantas e foi a primeira mulher eleita reitora da universidade. Completa a lista Juana Nunes Pereira, das Ciências Humanas, diretora de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Seu trabalho procura facilitar o acesso à cultura científica, principalmente de crianças e jovens, aproximando educação, pesquisa e sociedade.
Na avaliação de Carla, mostrar essas dez histórias oferece referências variadas aos mais novos e amplia a ideia de quem pode fazer ciência. “Ao conhecerem a trajetória de mulheres que se destacaram na física, na engenharia, na biotecnologia, na agricultura e nas ciências humanas, crianças e jovens podem reconhecer a diversidade da produção científica e encontrar novas referências para seus próprios caminhos”, ressalta a organizadora.


Com informações de CAMPOS 24HORAS.
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