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Política

Secretário de Cambuci vira alvo de reprimenda após mensagens sobre evitar lojas de eleitores de Lula

Uma relação com nomes de comerciantes apontados como eleitores de Lula, somada a mensagens atribuídas a um secretário, gerou polêmica em Cambuci. O prefeito promete repreender o auxiliar, e a Câmara divulgou nota de repúdio.

Secretário de Cambuci vira alvo de reprimenda após mensagens sobre evitar lojas de eleitores de Lula
Imagem da reportagem

Circula nas redes sociais uma relação de nomes de lojistas e moradores de Cambuci, no Noroeste Fluminense, que teriam supostamente votado em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para presidente. Segundo a lista, essas pessoas deveriam ser boicotadas, e o episódio ganhou força no cenário político do município.

Mensagens atribuídas ao secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão Geral, Rafael de Almeida Braga, também entraram na controvérsia. De acordo com relatos, ele teria estimulado os eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL) a não comprar em negócios de quem apoia Lula, como uma forma de pressionar financeiramente esses comerciantes.

Diante da repercussão, o prefeito Murilo Defanti marcou um encontro com o secretário para discutir o assunto. “Ele vai ser, sim, repreendido. Eu vou estar lá me reunindo com ele, repreendendo, corrigindo, porque as pessoas que ocupam cargos públicos, de fato, precisam ter cuidado ao se manifestar. Mas nós precisamos entender também que Rafael é um servidor efetivo do município”, disse o chefe do Executivo.

A Câmara Municipal de Cambuci igualmente se posicionou e publicou uma nota de repúdio contra qualquer tipo de intolerância política capaz de atingir os comerciantes locais. Para o Legislativo, diferenças partidárias não justificam perseguição nem podem ameaçar o sustento das famílias, e a Casa declarou que não concorda com práticas discriminatórias baseadas em posição política.

Até a última atualização da reportagem, não foi possível falar com Rafael de Almeida Braga para ouvir a sua versão.

Casos parecidos têm sido registrados em outras partes do estado do Rio de Janeiro. Em Macaé, no Norte Fluminense, a procuradora do município, Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro, escreveu na terça-feira (27) que deixaria de fazer políticas públicas para petistas, chamados por ela de “esse tipo de gente”. No mesmo post, sugeriu que empresas não empregassem “artistas, pobres nordestinos e mineiros”. A Polícia Civil abriu inquérito, e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) repudiou as falas.

Em Cachoeiras de Macacu, na região metropolitana, uma relação difundida em grupos de WhatsApp promove boicote a comércios e prestadores de serviço tidos como ligados à esquerda. Pelo menos 26 estabelecimentos aparecem nas mensagens. O g1 viu imagens de um grupo chamado "Direita Cachoeiras", com cerca de 300 participantes, em que os integrantes são orientados a reconhecer locais "de esquerda" e a não comprar neles.

Em Teresópolis, na Região Serrana, comerciantes e profissionais foram citados em publicações e grupos de mensagens que apontam negócios supostamente associados a simpatizantes do PT e pedem que consumidores os evitem. A situação chegou à Câmara Municipal e levou à apresentação de uma representação ao Ministério Público estadual (MPRJ) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

O documento afirma que há registros semelhantes em Petrópolis, Três Rios e Cachoeiras de Macacu. Entre os exemplos mencionados estão grupos e postagens chamados "Estabelecimentos Petista em Três Rios" e "Cachoeiras Consciente (não compre de petista)".

Com informações de G1 Norte Fluminense.

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