Ex-presidente Dilma passa a receber reparação mensal de R$ 17,5 mil após decisão sobre anistia
Portaria publicada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania concede à ex-presidente um valor mensal permanente e determina o pagamento de retroativos, cumprindo ordem judicial.
Foi publicada nesta terça-feira, 27, pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, uma portaria que assegura à ex-presidente Dilma Rousseff uma reparação econômica mensal de R$ 17,5 mil, de forma permanente e contínua. A medida reconhece as violações que ela sofreu durante o regime militar, período compreendido entre 1964 e 1985.
O mesmo documento estabelece o pagamento de valores retroativos que somam R$ 6,6 milhões, com início em 21 de outubro de 1997. Contudo, a quantia que será de fato quitada levará em conta os valores que Dilma já recebeu, além dos parâmetros de correção definidos pela Justiça.
A nova portaria atende a uma determinação judicial e corrige o ato que, no ano passado, concedeu anistia à ex-presidente. Ela substitui, portanto, a decisão anterior sobre o caso.
Em maio de 2025, a Comissão de Anistia reconheceu, por unanimidade, Dilma como anistiada política. Na ocasião, o colegiado lhe concedeu uma reparação econômica única de R$ 100 mil.
Essa decisão foi oficializada por meio da Portaria nº 1.424, datada de 19 de agosto de 2025 e publicada no Diário Oficial da União em 28 de agosto, nove dias após a assinatura. O texto agora divulgado troca o valor fixo por uma reparação mensal e determina o cálculo dos retroativos.
A anistia política funciona como um instrumento de reparação para pessoas afetadas por atos de exceção. Já a compensação financeira pode ser concedida quando fica comprovado o prejuízo provocado por perseguição política.
Dilma apresentou o pedido de anistia em 2002. No ano seguinte, pediu a suspensão do processo quando assumiu o Ministério de Minas e Energia, durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência.
Enquanto Dilma esteve à frente da Presidência da República, a tramitação permaneceu paralisada. Após o impeachment, em 2016, a ex-presidente buscou reabrir a análise do caso.
Em abril de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, a então ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, rejeitou o requerimento. A defesa de Dilma apresentou recurso contra essa decisão.
Dilma integrou a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, grupo de guerrilha que combatia o regime militar com armas. Presa em 1970, aos 22 anos, ela ficou detida por aproximadamente três anos. Relata ter enfrentado torturas físicas e psicológicas, entre elas pau de arara, choques elétricos, afogamento e palmatória.
Após ser solta, foi morar no Rio Grande do Sul. Em 1975, passou a trabalhar na Fundação de Economia e Estatística (FEE). Dois anos mais tarde, perdeu o emprego na instituição depois que seu nome apareceu em uma relação intitulada “comunistas infiltrados no governo”.
O Serviço Nacional de Informações acompanhou a ex-presidente até o fim de 1988.
Com informações de CAMPOS 24HORAS.
Leia também
Política
Flávio Bolsonaro segue como alvo de inquéritos no STF mesmo depois de deixar o país
Mesmo após deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro continuará sendo investigado em dois processos criminais que tramitam no Supremo Tribunal Federal, por possuir foro privilegiado.
28/10/2026 · 00:11
Política
Após derrota de Lula no segundo turno, senador do PL-RJ deixa o país rumo à Flórida
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu do Brasil em direção aos Estados Unidos, com destino previsto para a Flórida, segundo pessoas ligadas à família. A viagem ocorre após sua derrota para Lula e uma determinação judicial sobre seus passaportes.
28/10/2026 · 00:11
Política
STF marca audiência sobre MP das Bets com clubes de futebol convocados para 3 de novembro
O ministro Luiz Fux vai conduzir, no dia 3 de novembro, uma audiência pública no STF sobre os impactos da MP das Bets. Dez clubes, a CBF e representantes do governo e do mercado foram convocados.
28/10/2026 · 00:11
Política
Após as 17h, eleitores ainda somam mais de 34 mil votos no segundo turno, aponta TSE
Levantamento do TSE indica que, depois das 17h deste domingo (25), as urnas computaram 34.393 votos, o equivalente a 0,027% do total do segundo turno. A votação foi estendida por decisão judicial em algumas seções.
28/10/2026 · 00:11