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Política

Presidente do PL rejeita texto de Flávio e diz que tem novidades para Bolsonaro

Valdemar Costa Neto desaprovou a carta em que Flávio Bolsonaro, já fora do país, contesta a derrota de 2026 e se apresenta como líder da oposição. Partidos aliados e o TSE defenderam o resultado das urnas.

Presidente do PL rejeita texto de Flávio e diz que tem novidades para Bolsonaro
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Quem fala agora é o comandante do PL. Valdemar Costa Neto deixou claro que não aprovou a carta divulgada por Flávio Bolsonaro depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial de 2026. Na versão inicial do comunicado, o senador se intitulava "presidente eleito do Brasil", mesmo com o resultado registrado nas urnas.

A reação veio nesta quinta-feira (29), quando Valdemar foi a Brasília para encontrar o ex-presidente Jair Bolsonaro. "Não gostei", disse ele, acrescentando que levaria ao antigo aliado algumas novidades sobre o cenário político.

O mal-estar revela um racha dentro da legenda. Parte do partido defendia reconhecer a derrota e começar a organizar a oposição, mas Flávio optou por publicar um texto que trazia alegações de fraude, sem apresentar qualquer evidência capaz de sustentá-las.

Depois da repercussão negativa, a carta sofreu mudança. A expressão que o colocava como vencedor foi trocada pela palavra "líder". Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação da campanha de Flávio, classificou a alteração como "erro de confecção" e disse que não existiam provas de fraude eleitoral.

No comunicado, Flávio expressou gratidão ao presidente norte-americano Donald Trump e ao chefe de Estado argentino Javier Milei. Após deixar o território brasileiro na terça-feira, o senador desembarcou em Miami, no estado da Flórida, na manhã seguinte.

Segundo o texto, ele pretende comandar a oposição ao governo Lula de solo americano. Também anunciou que vai revelar um plano para mobilizar seus seguidores e manter diálogo constante com os eleitores.

Na primeira redação do documento, Flávio escreveu: "Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação".

Depois que o trecho foi questionado, a autodeclaração de presidente eleito deu lugar a uma menção de Flávio como líder do país. Além disso, o senador justificou a decisão de continuar fora do Brasil dizendo temer medidas judiciais, como a apreensão do passaporte, o uso de tornozeleira eletrônica ou a prisão. Ainda assim, o próprio texto admitia que não havia nenhum mandado de prisão contra ele.

Outras legendas também criticaram a carta. União Brasil e MDB afirmaram que é preciso respeitar o resultado da eleição, reconhecido pela Justiça Eleitoral.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, publicou uma nota em defesa da legitimidade do pleito de 2026. Sem mencionar Flávio nominalmente, ressaltou o respeito à vontade dos eleitores e disse que eventuais contestações apresentadas por caminhos legais serão examinadas pelo Judiciário.

"Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes", declarou o ministro.

Após a derrota, Flávio disse que iria questionar o resultado e citou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que estendeu o funcionamento das urnas até as 19h por conta de problemas no transporte público na Bahia.

O PL também tinha pedido o adiamento do fim da votação devido ao mau tempo em outras partes do país.

De acordo com o TSE, cerca de 34 mil votos foram computados após as 17h. O volume é bem menor que a distância de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio.

O senador ainda citou uma suposta retirada de fiscais do PL de dentro do TSE durante a votação. O tribunal negou a informação.

A legenda, porém, aceitou o resultado em comunicado assinado por Valdemar Costa Neto. Já a equipe jurídica da campanha não avançou com nenhum pedido para anular a eleição, apesar das falas públicas de Flávio.

Com informações de www.ururau.com.br.

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