Parecer da Procuradoria Eleitoral pede cassação prévia do registro de Canella e liga o candidato a milicianos
O Ministério Público Eleitoral quer que o TSE negue o registro de Márcio Canella, segundo mais votado para a Alerj, apontado como articulador de uma organização criminosa armada. A manifestação cita nomeações e uma investigação sobre combustíveis.
Um pedido enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) pode mudar o rumo da candidatura de Márcio Canella. O órgão solicita que a Corte recuse o registro do político como candidato a deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Canella ficou em segundo lugar na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa fluminense (Alerj), e o Ministério Público Eleitoral sustenta que ele seria o possível articulador político de uma organização criminosa armada que atua com grupos milicianos na Baixada Fluminense.
A solicitação aparece em um parecer assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, que pede a revisão da decisão favorável à inscrição da candidatura. Segundo o documento, há elementos que se somam e indicam a participação de Canella na mediação entre chefes milicianos e o poder público. O texto também menciona que integrantes desses grupos prestaram apoio eleitoral ao candidato.
De acordo com a Procuradoria, há sinais de que lideranças milicianas se infiltraram na estrutura estatal por meio do político. A peça atribui a Canella um papel na articulação política de uma organização criminosa armada. Esse posicionamento surge depois que ele foi preso preventivamente, em 15 de outubro, durante a Operação Unha e Carne, que apura a ação de um grupo criminoso no setor de combustíveis da Região Metropolitana do Rio.
Entre os fatos levados ao conhecimento do TSE, a Procuradoria dá destaque a nomeações feitas na carreira política de Canella. Conforme o parecer, ainda no primeiro mandato como deputado estadual, ele indicou a mulher de um comandante miliciano para um cargo comissionado em seu gabinete na Alerj.
Mais adiante, já na Prefeitura de Belford Roxo, o político colocou no primeiro escalão municipal pelo menos duas pessoas vistas como líderes com histórico de ligação com o paramilitarismo na Baixada. Ainda segundo a manifestação, esses dois secretários tentaram concorrer às eleições municipais de 2024, porém a Justiça Eleitoral indeferiu as candidaturas por causa de vínculos com organizações criminosas.
Para a PGE, todos esses episódios formam um conjunto de provas que indicaria a presença de integrantes de milícias em órgãos públicos e a proximidade deles com a estrutura política de Canella. O vice-procurador-geral eleitoral também usa, como base do requerimento ao tribunal, o apoio aberto que lideranças milicianas teriam dado à campanha do candidato.
A Procuradoria também recorre às informações obtidas na Operação Unha e Carne, realizada em 15 de outubro, para embasar o pedido de indeferimento. A apuração investiga uma organização criminosa armada que, conforme a suspeita, controla de forma ilegal e forma um cartel em parte do comércio de combustíveis da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Pelo parecer, Canella desempenharia uma função de articulação política dentro do grupo, o que incluiria indicações para posições estratégicas na área de segurança pública. O Ministério Público Eleitoral aponta, além disso, sinais de que ele recebeu repasses em dinheiro vivo oriundos do esquema apurado.
“A apuração atribui-lhe o papel de articulador político do grupo”, afirma Alexandre Espinosa, ao descrever a participação que foi atribuída ao candidato. A investigação alcança ainda postos de combustíveis que, de acordo com os investigadores, teriam servido para esconder e fazer circular recursos ligados às atividades do grupo.
Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviados à Polícia Federal, mostram uma movimentação acima de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, atribuída à organização investigada. Esse valor representa o total movimentado pelo grupo sob apuração, e não uma quantia atribuída individualmente a Canella.
No pedido enviado ao TSE, a Procuradoria-Geral Eleitoral defende que a Constituição e a jurisprudência eleitoral vedam que organizações criminosas armadas usem estruturas políticas e administrativas para expandir suas atividades. Conforme o parecer, cabe à Justiça Eleitoral barrar a entrada de grupos paramilitares no aparelho do Estado e preservar a legitimidade do pleito.
A PGE entende que as provas reunidas contra Canella justificam rever a decisão que havia liberado seu registro de candidatura. O requerimento chega à Corte após a votação de 4 de outubro, em que Canella alcançou a segunda maior quantidade de votos para deputado estadual no Rio de Janeiro.
Agora cabe ao TSE examinar o recurso apresentado pela Procuradoria-Geral Eleitoral e decidir se mantém ou rejeita o registro da candidatura.
Com informações de www.ururau.com.br.
Leia também
Política
Fluminense aparece no pódio nacional de queixas por pressão política em empresas
Levantamento do MPT coloca o estado entre os três primeiros do país em registros de intimidação eleitoral dentro de empresas, às vésperas do segundo turno presidencial.
24/10/2026 · 20:50
Política
Democracia acima de vencedores: o país é de todos, dizem editoriais sobre a eleição de 2026
Texto de opinião defende que a eleição presidencial de 2026 seja vista como teste de convivência entre brasileiros e que a democracia se fortaleça independentemente do resultado nas urnas.
24/10/2026 · 20:50
Política
Disputa por transparência: representantes de Flávio e Lula vão ao TSE nesta quinta com dados de sigilo
Equipes dos dois candidatos devem comparecer ao Tribunal Superior Eleitoral para responder ao desafio lançado no debate da Band. Flávio condiciona a entrega de seus dados à apresentação dos de Lula.
23/10/2026 · 23:11
Política
Pagamento assistencial a idosos e deficientes teria poupado meio milhão de vidas e milhões de atendimentos hospitalares
Estudo internacional estima que o BPC, benefício federal de um salário mínimo, tenha impedido centenas de milhares de óbitos e milhões de internações do SUS ao longo de três décadas. A análise ainda não passou por revisão por pares.
23/10/2026 · 23:11