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Política

Democracia acima de vencedores: o país é de todos, dizem editoriais sobre a eleição de 2026

Texto de opinião defende que a eleição presidencial de 2026 seja vista como teste de convivência entre brasileiros e que a democracia se fortaleça independentemente do resultado nas urnas.

Democracia acima de vencedores: o país é de todos, dizem editoriais sobre a eleição de 2026
Imagem da reportagem

Existem pleitos que apenas definem quem ocupará o Palácio do Planalto. Outros funcionam como um exame coletivo, em que a sociedade inteira precisa mostrar se consegue dividir o mesmo espaço sem se fragmentar. A disputa presidencial de 2026 se encaixa no segundo grupo.

O país vai às urnas após uma campanha que atravessou lares, laços de amizade, redações jornalísticas, tribunais, templos religiosos, empresas e incontáveis telas de smartphones. Preferências políticas passaram a funcionar como marcas de identidade, e discordâncias pontuais chegaram a parecer rompimentos definitivos. Em certos momentos, a discussão deixou de ser quem governaria o Brasil e passou a ser quem teria legitimidade para representá-lo.

Ainda assim, há uma verdade que se sobrepõe a qualquer candidatura: o Brasil seguirá pertencendo a todos os seus cidadãos, independentemente de quem seja eleito.

A democracia brasileira é a maior da América Latina e figura entre as mais amplas experiências de participação popular do mundo. Trata-se de uma nação continental, capaz de mobilizar milhões de pessoas para tomar decisões individuais, em silêncio, dentro de uma cabine de votação.

Essa força, porém, não se resume ao contingente de eleitores. Ela aparece na possibilidade de criticar quem governa, na existência de uma oposição atuante, no direito de divulgar uma reportagem incômoda, de contestar uma sentença judicial e de sustentar uma tese que a maioria recusa.

A democracia não exige unanimidade

Durante esta campanha, a imprensa ocupou posição de destaque, sendo alvo de ataques e de desconfiança. A internet ampliou o número de vozes e intensificou os embates. As redes sociais transferiram a disputa para o interior dos lares e transformaram cada aparelho celular em uma pequena praça pública.

A Justiça Eleitoral e os tribunais também passaram a ocupar o centro das discussões. Suas determinações foram debatidas, questionadas e expostas ao escrutínio da opinião pública. Justamente em meio a esse clima de tensão, fica evidente o peso de instituições que não se submetem à vontade de quem detém o poder naquele momento.

Democracia não significa concordar com a imprensa, com a Justiça ou com cada decisão institucional. Significa que o direito de questionar precisa caminhar junto com o respeito às normas e às garantias previstas na Constituição.

O país não necessita de unanimidade; necessita de instituições preparadas para aguentar a divergência.

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro encarnam projetos políticos diferentes. Seus apoiadores nutrem expectativas próprias e defendem rumos que nem sempre convergem. Essa pluralidade não representa uma falha do sistema democrático; ela faz parte da sua própria essência.

Nenhum postulante está acima do país. Nenhuma legenda detém a exclusividade sobre a bandeira nacional. Nenhuma corrente ideológica tem o monopólio do patriotismo. A devoção ao Brasil não deve ser aferida pela escolha feita por alguém na urna.

Quem for eleito receberá um mandato, e não a nação inteira. Quem não vencer seguirá integrando o país, com os mesmos direitos, deveres e liberdades garantidos pela Constituição.

É justamente nessa diferença que se assenta a grandeza de uma República.

O Brasil após as urnas

Presidentes deixam o cargo, maiorias mudam, acordos políticos se desmancham e discursos capazes de reunir multidões hoje serão trocados por outros amanhã. Por isso, a soberania popular precisa estar acima das circunstâncias e protegida até mesmo daqueles que julgam que apenas a própria vitória pode salvar o país.

Nenhuma eleição precisa unificar todas as ideias. O debate com opiniões opostas é indispensável para a vida pública. O que precisa ficar para trás é a intenção de tirar do adversário o direito de seguir participando desse processo.

No domingo, milhões de brasileiros vão às urnas guiados pela esperança, pela inquietação, pela convicção ou pela incerteza. Cada voto traz consigo uma trajetória individual, uma vivência e um modo próprio de imaginar o futuro.

E todos possuem o mesmo peso.

O voto de quem tem mais recursos não vale mais do que o de uma mulher que percorre longas distâncias para chegar à sua seção eleitoral. Origem, crença religiosa, ocupação profissional ou situação social não definem o valor de uma vontade.

Existe uma notável afirmação de igualdade nesse ato aparentemente simples.

Na segunda-feira, o Brasil seguirá diante de seus problemas, de suas desigualdades, de suas necessidades urgentes e de seu enorme potencial. Nenhum resultado eleitoral, por si só, dará conta de todas as suas contradições.

Ainda assim, haverá uma decisão soberana que precisará ser respeitada e um novo capítulo político a ser escrito.

A vitória de um candidato pertence ao projeto que ele representa e aos eleitores que o escolheram. Já a preservação da democracia pertence a toda a população.

Se existe algo que deve sair fortalecido desta eleição, qualquer que seja o resultado, é justamente essa convicção.

Afinal, haverá um vencedor nas urnas. Mas o Brasil não pertence a quem vencer: pertence a todos os brasileiros.

Com informações de www.ururau.com.br.

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