Mundo deve ultrapassar meta climática e temperatura pode subir até 2,8°C até o fim do século, alerta relatório
Novo estudo do Pnuma indica que a humanidade não evitará superar 1,5°C de aquecimento, e que cumprir apenas as promessas atuais ainda deixaria o planeta mais quente. Guterres afirma que o limite ultrapassado não representa desistência.
Uma nova análise do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) concluiu que o planeta já não terá como impedir que o aquecimento global supere 1,5°C em relação aos níveis anteriores à industrialização. Esse patamar é visto como essencial para diminuir os efeitos mais severos da crise climática.
O documento, divulgado nesta quarta-feira (21), chama atenção para a urgência de cortar com rapidez as emissões de gases de efeito estufa ao longo das próximas décadas. Segundo o levantamento, a temperatura média global ainda poderia avançar 2,6°C até 2100, mesmo que todas as nações cumpram por completo os compromissos climáticos já anunciados.
Caso apenas as regras atualmente em vigor sejam mantidas, o termômetro do planeta poderia alcançar 2,8°C ao longo deste século, com tendência de seguir em alta depois disso.
As informações integram a 17ª edição do Relatório sobre a Lacuna de Emissões, conhecido como Emissions Gap Report 2026. A publicação compara o que os governos se comprometem a fazer para frear o aquecimento com aquilo que seria de fato necessário.
Para o órgão da ONU, anos de medidas insuficientes tornaram praticamente inevitável ultrapassar a marca de 1,5°C, quando se considera a média de temperatura do planeta ao longo de diversas décadas. Ainda assim, isso não quer dizer que retornar a esse nível até o final do século seja inviável.
De acordo com cálculos da entidade, se forem adotadas medidas mais duras, o aquecimento poderia chegar a um pico entre 1,7°C e 1,8°C por volta de 2050, recuando aos poucos até voltar a 1,5°C em 2100.
Esse trajeto, porém, demanda reduções de emissões bem superiores às que estão previstas hoje. Para seguir por ele, o mundo teria de diminuir os gases de efeito estufa em 18% até 2030, em 45% até 2035 e em 69% até 2040.
Todos esses percentuais tomam como referência os níveis registrados em 2025. Em contraste, o cumprimento total das promessas climáticas feitas pelos países resultaria em queda de apenas 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035.
Vale lembrar que o Acordo de Paris, assinado em 2015, tem como objetivo conter o aquecimento global bem abaixo de 2°C, buscando ao mesmo tempo não passar de 1,5°C. A temperatura é medida em comparação com a média do período que antecedeu a industrialização. Cada décimo de grau adicional eleva a probabilidade de fenômenos climáticos extremos.
Na mensagem que acompanha o relatório, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que ainda há possibilidade de diminuir a força e o tempo dessa ultrapassagem. Para ele, "Ultrapassar o limite não significa rendição".
Guterres ressaltou ainda que o planeta precisa reduzir suas emissões em quase 6% por ano até 2035 para voltar a seguir um caminho compatível com a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris.
Com informações de CAMPOS 24HORAS.
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