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Saúde

Melodias que curam: músico leva violão e canto a cinco CAPS de Campos

Um músico de 69 anos percorre as cinco unidades de atenção psicossocial de Campos tocando e cantando com usuários, numa iniciativa que aproxima pacientes e equipes. A direção de Saúde Mental reconhece o trabalho como estratégia de cuidado humanizado.

Melodias que curam: músico leva violão e canto a cinco CAPS de Campos
Imagem da reportagem

Em Campos dos Goytacazes, a música vem sendo usada como instrumento de cuidado em saúde mental. Quem conduz o trabalho é o músico João Carlos Ribeiro da Silva, de 69 anos, que circula pelos cinco Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do município para estimular a expressão dos usuários, criar laços e acolher quem está em tratamento. A ação já faz parte da rotina das unidades e demonstra que a arte pode colaborar para um atendimento mais humano e para a aproximação entre pacientes e profissionais da saúde.

As atividades acontecem no CAPS III Dr. Makhoul Moussallen, no CAPS III Dr. Romeu Casarsa, no CAPSi Dr. João Castelo Branco, que atende o público infantojuvenil, no CAPSad III Dr. Ari Viana, voltado às pessoas com problemas ligados ao uso de álcool e outras drogas, e no CAPS II Dr. João Batista de Araújo Gomes. João Carlos integra a rede desde 2000 e, a partir de 2010, passou a se dedicar com mais intensidade à atividade musical. Cada unidade recebe a visita do músico em um dia específico da semana.

Nos encontros, ele toca instrumentos, canta e convida os usuários a participar. Há quem acompanhe as canções, há quem cante junto e há quem apenas aproveite o momento. A proposta também chega às pessoas que aguardam atendimento, criando um ambiente acolhedor que torna a espera menos angustiante.

Para João Carlos, os resultados observados ao longo dos anos justificam a continuidade do projeto. Ele cita situações em que a música ajudou pacientes a se manifestarem, a tomar parte nas atividades e a criar uma relação mais próxima com os profissionais que acompanham seu tratamento.

Um dos episódios que mais o marcaram ocorreu no CAPS de Guarus. Certa vez, uma psicóloga pediu que ele participasse de uma consulta com uma paciente que tinha dificuldade de falar durante os atendimentos. Com o violão em mãos, ele passou a tocar pequenos trechos de canções enquanto a profissional buscava estabelecer contato com a jovem, até que ela reconheceu uma das músicas e resolveu participar.

No relato do músico, a jovem disse: “Ela falou: ‘Eu gosto dessa música. Dá para você continuar que eu vou cantar?’. Aquilo me emocionou muito, porque conseguimos. A partir dali, a psicóloga conseguiu desenvolver o trabalho dela com a menina, e eu me retirei. Foi uma das maiores vitórias que senti desde que realizo esse trabalho”, relembra.

Outro caso envolve uma usuária que, depois de uma decepção amorosa, viveu um período de intenso sofrimento emocional. De acordo com João Carlos, ela passou a se aproximar da música e, mais adiante, chegou a se apresentar com o grupo que existia na época. Com o tempo, sua condição melhorou, e ela deixou de necessitar de acompanhamento intensivo todos os dias, seguindo vinculada ao serviço para retirar a medicação, segundo o músico.

Além de favorecer a expressão de sentimentos e a convivência social, a atividade cria oportunidades de encontro entre usuários, profissionais e acompanhantes. O músico ressalta que seu trabalho não existiria sem o apoio das equipes dos CAPS, que colaboram para a realização dos encontros e incorporam a música à rotina do atendimento.

“Sem uma equipe boa, como tenho encontrado em todas as unidades por onde passo, acho que o meu trabalho não seria possível. Esses profissionais me ajudam muito, estão sempre à disposição e colaboram. É um trabalho conjunto, então o mérito também é deles”, afirma.

Para o músico, a experiência também carrega um significado pessoal. Com o passar dos anos, ele notou que os encontros musicais beneficiam não só os usuários, mas também o seu próprio equilíbrio emocional. “Eu me sinto muito honrado. Essa atividade deixou de ser uma terapia só para eles, os pacientes, e passou a ser para mim também. Muitas vezes, eu chego à unidade sem estar muito bem e, quando começo a cantar junto com eles, também saio renovado”, relata.

A iniciativa também é vista com bons olhos pela direção de Saúde Mental, que a considera uma relevante estratégia de cuidado humanizado. A diretora Rosineia Jardim afirma que a música amplia as formas de acolhimento e contribui para a reabilitação psicossocial dos usuários.

“A música é uma importante ferramenta de cuidado, acolhimento e reabilitação psicossocial nos CAPS. Ela possibilita a expressão de sentimentos, fortalece vínculos e estimula a convivência, especialmente entre aqueles que encontram dificuldades para expressar seu sofrimento em palavras. Quando integrada ao acompanhamento multiprofissional, amplia as possibilidades de cuidado, valorizando cada pessoa para além do diagnóstico”, destaca a diretora.

Com informações de CAMPOS 24HORAS.

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