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Política

Lula e Flávio trocam farpas em debate na Band e medem forças sobre economia e segurança

Na primeira aparição conjunta na disputa presidencial, realizada na Band, os candidatos se enfrentaram em torno de corrupção, previdência, saúde e combate ao crime, com acusações pessoais de parte a parte.

Lula e Flávio trocam farpas em debate na Band e medem forças sobre economia e segurança
Imagem da reportagem

O primeiro encontro televisivo entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), pela corrida ao Palácio do Planalto, aconteceu neste domingo (18) e foi transmitido pela Band. Ao longo dos blocos, a troca de acusações mútuas dominou a noite, com questionamentos sobre o desempenho dos governos e propostas para a economia e a segurança pública. Temas como corrupção, previdência, saúde, custo de vida, privatizações, políticas industriais e métodos de combate ao crime foram alvo de visões opostas.

Lula procurou valorizar os resultados obtidos em suas gestões e apresentou a continuidade do seu governo como o melhor caminho para avançar no crescimento econômico e reduzir as desigualdades. Flávio, por sua vez, direcionou suas críticas aos gastos do setor público, às promessas feitas pelo presidente e à forma como o atual governo conduz as políticas econômicas e de segurança. Ambos recorreram ao passado político do oponente para colocar em dúvida sua credibilidade junto aos eleitores, e em diversos momentos apelaram a ataques de natureza pessoal.

Logo no início, o embate se concentrou em corrupção e na responsabilidade dos governos diante de denúncias que envolvem dinheiro público. A conversa também tocou no INSS e em providências ligadas à licença-maternidade.

Lula tentou diferenciar as irregularidades que estão sob investigação das medidas tomadas pela sua administração, e defendeu a postura do governo frente aos problemas identificados. Para rebater as objeções do adversário, o presidente recorreu ao histórico econômico dos seus mandatos e afirmou que o Brasil voltou a registrar bons indicadores desde que ele retornou ao Planalto.

Flávio rebateu a argumentação do presidente e colocou em xeque a capacidade do governo de combater irregularidades. O senador buscou ligar as críticas à gestão petista à urgência de mudanças na administração federal, afirmando que, se eleito, adotará uma orientação política e econômica diferente.

As denúncias de corrupção e a maneira como as políticas públicas são conduzidas marcaram o começo da disputa. Mais do que apresentar propostas, os dois postulantes buscaram atribuir ao rival a responsabilidade por dificuldades que o país atravessa. Flávio chamou Lula de "corrputo", e o atual presidente, por sua vez, classificou o filho de Jair Bolsonaro como "miliciano".

Flávio citou Roberta Luchsinger, que, segundo ele, aparece ligada a uma investigação sobre descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS, e questionou a relação dela com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Ele levantou dúvidas sobre eventuais repasses de dinheiro ao filho do petista, que, conforme afirmou, mora na Espanha.

Lula respondeu que o caso precisa ser esclarecido pela Polícia Federal. O presidente negou ter mantido escritório com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e declarou que a apuração deverá determinar quem tem responsabilidade.

Em sua fala, o chefe do Executivo resumiu a questão dessa forma: "É um problema da Polícia Federal. A Polícia Federal vai cuidar".

No segundo bloco, saúde pública e segurança voltaram à pauta. Os postulantes tiveram opiniões divergentes sobre as ações necessárias para conter a criminalidade e sobre a forma como devem ser tratados os presos que saem das unidades prisionais em saídas temporárias.

Ao defender uma postura mais rígida na esfera penal, Flávio sintetizou sua visão sobre o benefício: "Se o cara for bandido, não sai". A declaração reforçou o discurso do senador, que colocou a segurança entre os setores nos quais pretende promover transformações caso vença a eleição.

Lula, de seu lado, valorizou a gestão do seu governo e questionou o diagnóstico do adversário sobre a realidade do país. O candidato à reeleição também puxou o debate para o bolso das famílias e disse que o custo de vida ficou mais alto durante a administração de Jair Bolsonaro, pai do adversário.

Flávio devolveu com propostas direcionadas ao endividamento de famílias e empresas. Entre as medidas anunciadas, citou a criação do Ministério da Prosperidade e a concessão de períodos de carência que facilitem a reorganização das finanças: seis meses para pessoas físicas e um ano para companhias.

O senador apresentou a iniciativa como uma parte de um plano para aumentar o volume de dinheiro disponível no orçamento doméstico. Lula, em contrapartida, buscou sustentar os resultados econômicos da sua gestão e contestar a comparação que o oponente havia estabelecido.

No terceiro bloco, o debate passou a abordar produtividade, desenvolvimento industrial, economia digital e a exploração de recursos naturais considerados estratégicos, como é o caso das terras raras. O assunto revelou divergências sobre o papel do Estado, o peso dos investimentos públicos e o relacionamento do Brasil com os Estados Unidos.

Lula mencionou a política industrial do seu governo, entre elas a iniciativa Nova Indústria Brasil, e defendeu aportes em áreas ligadas à transformação tecnológica e à economia verde. Para o presidente, o país precisa expandir sua capacidade de produção e preparar a mão de obra para acompanhar as transformações econômicas.

Flávio anunciou propostas que envolvem ampliar o acesso à internet, oferecer capacitação profissional e facilitar a concessão de crédito. Segundo o senador, as medidas que defende podem dar impulso à atividade econômica e abrir oportunidades para trabalhadores e empreendedores.

A transparência também entrou em pauta. Lula desafiou o adversário a quebrar seus sigilos bancário e telefônico, numa tentativa de pressioná-lo no meio do confronto.

Flávio, por sua vez, defendeu o programa Smart Brasil, a instalação de mais de um milhão de câmeras e iniciativas como a criação de um cadastro de pedófilos. Ele citou ainda a redução da maioridade penal e a castração química como ferramentas para tornar as políticas criminais mais duras.

Lula contestou a proposta de endurecimento penal ao destacar ações de segurança e medidas econômicas do seu governo. O presidente mencionou o bloqueio de celulares e programas de renegociação de dívidas, incluindo R$ 12,7 bilhões em valores perdoados para Microempreendedores Individuais (MEIs), de acordo com os números que apresentou durante o debate.

Nas considerações finais, Lula voltou a defender a atuação do Estado e fez críticas às privatizações realizadas em governos anteriores. Ele citou a Petrobras, a Eletrobras e a antiga BR Distribuidora para afirmar que a venda de estatais pode diminuir a capacidade de intervenção do governo em áreas estratégicas.

Ao tratar dos preços dos combustíveis, o presidente afirmou que a privatização da distribuição restringe o controle do governo sobre os valores que chegam ao consumidor. Criticou também as condições previstas para uma eventual recompra de ativos e defendeu que as empresas estatais sejam mantidas fortes.

"Eu quero um Estado forte e produtivo", disse o presidente. Lula também colocou em dúvida os benefícios das privatizações e questionou quem lucrou com a venda da antiga BR Distribuidora. Segundo ele, a população perdeu espaço para influenciar o setor.

O presidente lembrou ainda a retomada de atividades industriais para reforçar o balanço de sua gestão. "Já recuperamos a indústria naval. Já recuperamos a indústria de fertilizantes", afirmou, sustentando que o Brasil reúne condições para ampliar a produção e avançar na economia.

Lula também recuperou dados de seus mandatos anteriores e disse que o país possui potencial para crescer ainda mais. Conforme sua fala, quando deixou a Presidência pela primeira vez, o Brasil dispunha de quase US$ 270 bilhões em reservas internacionais e apresentava expansão econômica de 7,5%. Segundo o presidente, o país voltou a crescer acima de 3% após seu retorno ao governo.

Em sua fala final, Lula pediu a continuidade do seu governo e afirmou que o país pode avançar mais na economia. Ele também citou manifestações populares em defesa da democracia e criticou a hipótese de novas privatizações.

Flávio usou o encerramento para voltar a atacar o presidente e cobrar o cumprimento de promessas feitas durante os governos petistas. O senador disse que pretende direcionar sua gestão às necessidades da população, e não aos interesses de grupos privilegiados.

"Eu jamais vou me comportar dessa forma como ele fez aqui hoje, porque eu vou me comprometer com três coisas. Eu jamais vou prometer aquilo que eu não vou poder cumprir", declarou.

Flávio agradeceu aos eleitores que apoiaram sua candidatura e descreveu sua campanha como propositiva e livre de ódio. O senador também pediu que os brasileiros votem sem receio de represálias, lembrando que o voto é secreto.

O próximo debate entre os candidatos está previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, dois dias antes do segundo turno. A votação que vai definir o novo presidente da República está marcada para domingo (25).

Com informações de CAMPOS 24HORAS.

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