Ex-ministro entra na mira da PF: nome de Paulo Guedes aparece em apuração sobre firma de criptoativos
A Polícia Federal apura a suposta participação do ex-ministro Paulo Guedes em caso ligado à OnilX, empresa acusada de reter aplicações feitas em criptoativos e stablecoins. A defesa ainda não se manifestou.
Os investigadores da Polícia Federal passaram a examinar a conduta do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que é suspeito de cometer crime contra o sistema financeiro. A apuração envolve a OnilX, companhia que investidores acusam de manter em seu poder dinheiro aplicado em produtos vinculados a criptomoedas e stablecoins. Segundo a apuração, o economista prestou serviços de consultoria ao grupo e tomou parte em ações que davam ar de confiança à empresa.
O inquérito foi aberto em 10 de fevereiro de 2026 e corre em sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba. Além do economista, figuram como investigados o empresário Fábio Lino, proprietário da OnilX, e mais dez pessoas. De acordo com as informações tornadas públicas, Lino é o alvo central da investigação.
O vínculo do ex-ministro com a firma abrange um presumido contrato de marketing, presença em encontros estratégicos e diálogos reservados com possíveis aplicadores. Sua imagem, por sua vez, teria aparecido em peças promocionais da companhia.
Uma publicação feita pela própria OnilX mostra Paulo Guedes ao lado de Fábio Lino e de integrantes da Visa durante um encontro que a empresa classificou como de "alta relevância estratégica". Nessa ocasião, o ex-ministro foi apresentado como quem fornecia "suporte e visão" ao empreendimento.
A presença de Guedes também aparece em ações judiciais ajuizadas por aplicadores. Segundo mensagens juntadas a um desses processos, uma assessora da OnilX teria buscado persuadir um possível cliente a aplicar recursos na firma, mencionando o envolvimento do ex-ministro.
Nas trocas de mensagens, a assessora disse que Guedes "tá dentro da empresa" e se dispôs a agendar um encontro com ele para tratar de estratégias. A investida tinha como alvo um interessado com disponibilidade de entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.
Um levantamento publicado pela imprensa contabilizou 108 processos contra o grupo no intervalo entre 12 de junho e 10 de setembro. As ações partiram de investidores que dizem enfrentar obstáculos para retirar valores investidos em produtos atrelados a criptomoedas e stablecoins.
Em parte desses processos, os aplicadores sustentam que podem ter caído em um esquema de pirâmide financeira. A OnilX rejeita as acusações e declara que exerce suas atividades de forma regular no segmento de ativos virtuais.
A defesa de Paulo Guedes está a cargo dos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, nomes que também constam como representantes legais de Fábio Lino no inquérito. A equipe jurídica não retornou os contatos feitos pela reportagem que divulgou as informações. O espaço segue aberto para que os citados se pronunciem.
Em janeiro de 2026, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou uma stop order contra a OnilX, providência ligada à oferta irregular de valores mobiliários.
A companhia igualmente é alvo de demandas judiciais em Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará. Quem move essas ações afirma ter entregue milhões de reais ao grupo para aplicações em criptoativos e stablecoins e alega não conseguir reaver o montante, mesmo diante das garantias de alta liquidez.
As diligências da Polícia Federal têm como objetivo esclarecer o papel de cada envolvido e apurar uma eventual prática de crimes contra o sistema financeiro. Vale destacar que a abertura de inquérito não equivale a condenação dos investigados.

Com informações de www.ururau.com.br.
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