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Polícia

Esquema de recados a chefe de facção preso em Mato Grosso do Sul leva a detenções em Belford Roxo e na capital fluminense

Ação conjunta de procuradores e agentes federais teve como alvo parentes que serviam de elo entre um comandante encarcerado em presídio federal e membros da organização em liberdade. Investigação aponta ainda um servidor comissionado de Câmara da Baixada.

Esquema de recados a chefe de facção preso em Mato Grosso do Sul leva a detenções em Belford Roxo e na capital fluminense
Imagem da reportagem

Nesta quinta-feira (29), o Ministério Público Federal (MPF) em parceria com a Polícia Federal (PF) colocou em marcha a Operação Cesura, com o objetivo de desarticular uma engrenagem de troca de mensagens. Por meio dela, um chefe de facção criminosa, mantido na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), mantinha contato com comparsas que continuam soltos. As diligências resultaram em detenções e na execução de buscas em Belford Roxo, município da Baixada Fluminense, e também na capital do Rio de Janeiro.

Atendendo a decisão da 3ª Vara Federal de Campo Grande, os agentes cumpriram dois mandados de prisão temporária e outros dois de busca e apreensão. Além disso, a Justiça determinou a prisão preventiva do líder da organização, que já se encontrava sob custódia na unidade federal e seguirá lá. Quem conduz o caso são a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul (Ficco/MS) e o Gaeco Nacional, vinculado ao MPF.

Conforme o órgão federal, dois sobrinhos do investigado funcionavam como portadores das mensagens entre o detento e pessoas de alto escalão do grupo criminoso. Esses recados eram repassados no parlatório do presídio federal, durante encontros em que os envolvidos recorriam a diálogos codificados. Tais conversas eram acompanhadas pelo setor de inteligência da Polícia Penal Federal.

Um episódio apurado pelos investigadores aconteceu em janeiro de 2025: um dos suspeitos encontrou-se face a face, no Rio de Janeiro, com um dos principais comandantes da facção, que é foragido da Justiça. Já no dia seguinte, esse mesmo suspeito seguiu para Campo Grande, esteve com o líder encarcerado e, de volta, relatou o conteúdo que havia levado.

De acordo com o MPF, essas idas ao presídio se repetiram com regularidade até agosto de 2026, invariavelmente em dias de expediente. Algumas vezes, o suspeito fazia o percurso de ida e volta no intervalo de um único dia. Segundo a instituição, as mensagens examinadas revelam que membros do grupo que estão em liberdade seguiam tratando o custodiado como líder em atividade, o que lhe permitia receber e repassar instruções, ainda que cumprisse o rigoroso regime do sistema penitenciário federal.

Um dos alvos da Operação Cesura exerce um cargo comissionado em uma Câmara Municipal da Baixada Fluminense. De acordo com o MPF, ele conseguiu bens nos últimos dois anos que, num primeiro momento, não condizem com os rendimentos que declarou. O comunicado oficial não revela o nome do funcionário, tampouco indica qual Casa Legislativa está envolvida.

Essa apuração teve origem em elementos colhidos durante a Operação Red Fox, levada a cabo pelo Gaeco do MPF no Rio de Janeiro. Esse trabalho mira o comércio internacional de armamentos de grosso calibre e entorpecentes que chegam ao país pela divisa norte. Após autorização da Justiça, o material foi repassado ao Gaeco Nacional; ao examinar os dados do chefe foragido, os investigadores identificaram indícios de que parentes atuavam como mensageiros.

Os envolvidos poderão ser responsabilizados, na medida de sua participação, por delitos previstos na Lei nº 15.358/2026, batizada de Lei Antifacção. Entre eles estão promover, integrar ou dar apoio a organização criminosa ultraviolenta, além de passar informações em benefício dela. Conforme o MPF, as punições previstas oscilam entre 12 e 20 anos de reclusão.

Os agentes também apuram se os suspeitos atuaram como informantes de um grupo ligado ao tráfico de entorpecentes. O caso corre em segredo de Justiça.

Com informações de www.ururau.com.br.

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