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Coreografia com jingle: monitores pagos por verba federal animam evento eleitoral de deputado e neto de bicheiro

Dois monitores pagos com recursos de emenda de Dr. Luizinho a projeto do Instituto Imperatriz Leopoldinense conduziram dança em ato de campanha ao lado de João Drumond. Contratos de integrantes da escola de samba também chamam atenção.

Coreografia com jingle: monitores pagos por verba federal animam evento eleitoral de deputado e neto de bicheiro
Imagem da reportagem

Em setembro, uma quadra esportiva de Ramos, na zona norte do Rio, foi palco de um evento de campanha do deputado federal Dr. Luizinho (PP) e do candidato a deputado estadual João Drumond (PRD). Quem conduziu a animação foram dois monitores remunerados com dinheiro de uma emenda parlamentar de Dr. Luizinho, destinada a um projeto esportivo do Instituto Imperatriz Leopoldinense, entidade ligada a João.

Um vídeo postado na época no Instagram registra a personal trainer Caroline Pereira da Silva, a Carol Índia, e o professor de educação física Roni Alberto Machado empolgando um público formado em sua maioria por idosas. Todos dançavam uma coreografia embalada pelo jingle do candidato. Carol, que soma quase 700 mil seguidores na rede social, segura o microfone, enquanto Roni, de camisa branca, fica ao seu lado.

No projeto, cada um recebe R$ 2 mil por mês. Roni foi contratado por meio do CNPJ da academia dele.

A presença na campanha fortalece a desconfiança de uso político do instituto, tema que aparece nos argumentos do Ministério Público Eleitoral ao pedir a impugnação da candidatura de João. Ele é neto do contraventor Luizinho Drumond. Aos 24 anos, o candidato recebeu mais de 55 mil votos, que seguem sub judice, à espera de posicionamento de instância superior sobre a decisão do TRE-RJ que lhe foi desfavorável.

Por meio de nota, o instituto, hoje presidido por Cátia Drumond, mãe de João, se declarou uma entidade “apartidária”: “O Instituto Imperatriz reafirma seu caráter estritamente apartidário, sendo vedada qualquer manifestação ou ato de cunho político-partidário no âmbito de suas instalações e atividades institucionais. A atuação de prestadores de serviços e colaboradores fora do ambiente de trabalho e da jornada contratual insere-se na esfera da vida civil individual, resguardada pelas garantias constitucionais de liberdade democrática e de expressão”.

Outro aspecto que desperta atenção na emenda de R$ 1,960 milhão de Dr. Luizinho para a ONG é o emprego de integrantes da escola de samba. O Transferegov, site do governo federal que reúne a documentação enviada pela organização ao Ministério do Esporte, pasta que libera os recursos, apresenta pouquíssimos detalhes do projeto. Um resumo na página informa apenas que haveria aulas de jiu-jitsu e ginástica funcional.

Pelos pagamentos já registrados, a entidade custeia o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira que vai desfilar pela agremiação no próximo ano. Diego Jenkins e Thayanne Loureiro, conhecida como Thay Loureiro, ganham R$ 2.700 na função de instrutores esportivos. Já o primeiro mestre-sala, Matheus Miranda, vindo da Unidos da Tijuca no começo do ano, é coordenador de núcleo e recebe R$ 3.520.

Também aparece Luiz Alberto Barros Barbosa, o Mestre Lolô, responsável pela bateria da Imperatriz Leopoldinense. Ele foi contratado como coordenador de núcleo, com os mesmos R$ 3.520 mensais, e a esposa dele, Mara Rosa, também está no projeto, via empresa LM Fusion Tecnologia.

O maior valor, R$ 6.100, vai para Nelson Malfacini, coordenador-geral do projeto esportivo e fotógrafo oficial da escola de samba. A mulher dele, Vanessa Barboteu Malfacini, atua em outro projeto esportivo da ONG, em paralelo, também financiado por emenda de Dr. Luizinho, de R$ 1,470 milhão, aprovada pela Comissão de Esporte da Câmara. Seu salário, como coordenadora-geral, é de R$ 6 mil.

Em nota, o instituto declarou que “além do corpo docente técnico, a execução dos projetos demanda profissionais para suporte administrativo, operacional e de gestão, justificando a presença dos referidos colaboradores”.

As duas emendas de Dr. Luizinho à ONG também envolvem pagamentos suspeitos na compra de materiais esportivos, conforme revelado em reportagem publicada na véspera na coluna. Um exemplo é a aquisição de 600 quimonos infantis, a R$ 400 cada, de uma empresa especializada em borrachas para geladeiras. O instituto e as empresas contratadas negam qualquer irregularidade.

Com informações de www.ururau.com.br.

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