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Política

Após vitória de Lula, mercado reage em pânico: câmbio explode e Ibovespa perde quase um sexto do valor

Dia após a reeleição de Lula, o dólar avança com força frente ao real e o Ibovespa despenca, levando a B3 a acionar o circuit breaker. A reação segue a expectativa frustrada de uma vitória de Flávio Bolsonaro.

Após vitória de Lula, mercado reage em pânico: câmbio explode e Ibovespa perde quase um sexto do valor
Imagem da reportagem

Na segunda-feira, 26, um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, o mercado financeiro amanheceu sob forte tensão. O câmbio disparou frente ao real e o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), passou a cair de maneira acentuada ao longo do pregão.

O movimento já havia começado de madrugada, quando o real perdeu bastante valor diante do dólar no mercado futuro. Ao longo da manhã, a moeda norte-americana chegou a subir mais de 12% e continuou se valorizando durante o restante da sessão.

Por volta das 11h30, no horário de Brasília, o dólar avançava 9,85% e era negociado a R$ 5,486. Pouco após a abertura, a divisa americana já havia subido 12,25%, atingindo R$ 5,604, o que fez com que ela alcançasse o limite máximo de negociação permitido pela B3.

Essa trava funciona como uma operação destinada a fixar a taxa de câmbio de uma negociação futura, algo semelhante a um congelamento do valor. Até aquele momento, a cotação máxima do dia era de R$ 5,605, enquanto a mínima ficava em R$ 5,425.

Na sexta-feira 24, último pregão antes do segundo turno, o dólar havia fechado em queda de 0,9% frente ao real, cotado a R$ 4,993. Com a disparada desta segunda, a moeda americana soma perdas de 3,5% em outubro e de 9,03% no acumulado de 2026.

O chamado terremoto Lula também atingiu em cheio a Bolsa. Ao fim da manhã, o Ibovespa, indicador que acompanha o desempenho das ações negociadas na B3, despencava. Às 11h30, o índice recuava 17,13%, marcando 169.956,83 pontos.

Durante o pregão, o Ibovespa chegou a atingir 205.088,73 pontos em seu ponto mais alto, enquanto a menor pontuação registrada até então foi de 169.516,44 pontos. Antes disso, a B3 ativou o circuit breaker e interrompeu os negócios por 30 minutos.

O circuit breaker é um dispositivo de proteção que a bolsa aciona para paralisar temporariamente as operações quando há quedas abruptas. De modo geral, seu propósito é frear o pânico, impedir vendas feitas às pressas e conceder tempo aos investidores para reavaliarem o quadro econômico.

Na sexta-feira 23, o Ibovespa havia encerrado com alta de 0,47%, aos 205 mil pontos. Assim, o índice acumula ganhos de 10,06% em outubro e de 27,28% em 2026, antes do tombo desta segunda-feira.

Ainda na madrugada desta segunda-feira, algumas horas após a confirmação da vitória de Lula, o real já mostrava uma queda expressiva, de cerca de 10% diante do dólar no mercado futuro da CME, em Chicago, nos Estados Unidos. A CME é considerada a maior bolsa de derivativos, que reúne futuros e opções, do mundo.

Por volta das 3h40, no horário de Brasília, o contrato com vencimento em novembro de 2026 caiu 10,09%, o que, em tese, poderia levar o dólar à faixa de R$ 5,56 na sessão desta segunda. Já o contrato de dezembro de 2026 cedia 9,79%.

Na sexta-feira 24, o Citi publicou um relatório elaborado a partir da consulta a mais de 70 gestores de fundos de ações multimercado. Diante de uma possível vitória de Lula, que de fato se confirmou nas urnas, cerca de 80% dos ouvidos previam uma queda superior a 5% no Ibovespa já no pregão desta segunda-feira.

Outros 7% imaginavam uma desvalorização entre 1% e 5%, enquanto 3% acreditavam em um recuo de 1% a 5% logo no primeiro pregão da semana. Ainda segundo a pesquisa do Citi, 63% apontavam para uma possível desvalorização do real superior a 5% frente ao dólar, e 28% indicavam uma depreciação entre 2% e 5%.

Ativos brasileiros negociados no exterior também acumularam perdas na noite de domingo, 25, após a confirmação do quarto mandato de Lula no Palácio do Planalto. O EWZ, fundo de índice negociado em Nova York que reúne as maiores empresas da Bolsa brasileira, caiu 18,29% no pregão noturno, cotado a US$ 34,80, o que representou uma perda de US$ 7,79 em relação ao fechamento da sexta-feira.

Já o Next Funds Ibovespa Linked, principal fundo de índice brasileiro listado na Bolsa de Tóquio, no Japão, operava em forte baixa no pregão desta segunda-feira, no horário local. Ele era negociado a 288 ienes, o que correspondia a uma queda de 11,8%.

Analistas do mercado avaliam que o Banco Central (BC) deve intervir no câmbio ainda nesta segunda-feira, vendendo dólares à vista. A intenção seria oferecer liquidez diante de uma procura mais intensa pela moeda norte-americana.

A reação do mercado tem relação com o que os agentes econômicos esperavam de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Para eles, a partir de janeiro de 2027, o país poderia tomar outro rumo na economia.

Os investidores imaginavam que um novo governo adotaria um programa de ajuste fiscal, com corte de despesas públicas e redução do endividamento do país em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Havia ainda grande expectativa em torno de uma agenda de reformas liberais, entre elas a reforma administrativa e uma nova etapa da reforma previdenciária.

Também existiam projeções de que o Banco Central (BC) reduziria a taxa básica de juros (Selic), caso houvesse um alívio na inflação. Nada disso, porém, se concretizou com o resultado das urnas.

No segundo turno das eleições presidenciais de 2026, Lula obteve 51,79% dos votos válidos, o equivalente a 64,2 milhões de eleitores, e ficou à frente de Flávio Bolsonaro, que somou 48,21%, ou 59,8 milhões de votos.

Com informações de CAMPOS 24HORAS.

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