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Política

Verba de emenda parlamentar banca salário de porta-bandeira em projeto esportivo de ONG carnavalesca

Recursos de uma emenda do deputado federal Dr. Luizinho custeiam a remuneração da primeira porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense, em projeto do instituto ligado a João Drumond. A assessoria da entidade ainda não explicou as funções da contratada.

Verba de emenda parlamentar banca salário de porta-bandeira em projeto esportivo de ONG carnavalesca
Imagem da reportagem

Dinheiro proveniente de uma emenda do deputado federal Dr. Luizinho (PP), parlamentar que obteve a maior votação no Estado do Rio nas últimas eleições, está sendo utilizado pelo Instituto Imperatriz Leopoldinense para remunerar Bruna Santos, primeira porta-bandeira da agremiação. A entidade tem vínculo com João Drumond (PRD), que concorre a uma vaga de deputado estadual.

Duas notas fiscal, numeradas como 01 e 02, foram emitidas em nome de uma microempreendedora individual chamada Bruna Alves Bittencourt. Cada documento registra o valor de R$ 3.250 e as datas são 8 de setembro e 5 de outubro. A cobrança se refere à coordenação de núcleo do projeto financiado por uma emenda de R$ 1,960 milhão.

A diferença entre o nome civil e o nome artístico da sambista fez com que eu procurasse uma pessoa homônima residente em Santa Catarina. Depois, porém, verifiquei que a contratada é de fato a porta-bandeira. A foto exibida no WhatsApp vinculado ao contato indicado na nota fiscal mostra Bruna.

Tentei falar com ela e me apresentei como jornalista, mas não obtive resposta. Até o momento, a assessoria de imprensa do Instituto Imperatriz Leopoldinense não se pronunciou sobre quais atribuições a profissional desempenha no projeto. Esta reportagem permanece aberta para novas informações.

A porta-bandeira ingressou na escola neste ano, depois de sair da Mocidade Independente. Já o plano de trabalho encaminhado pela organização não governamental ao Ministério do Esporte, órgão que libera os recursos e fiscaliza sua aplicação, traz poucas especificações. Segundo o documento, ao longo de doze meses serão disponibilizadas mil vagas de ginástica funcional e seiscentas de jiu-jitsu.

O projeto esportivo começou em julho, pouco antes do início do período eleitoral.

Dois casais contratados

Com a admissão de Bruna Santos, dois casais de mestre-sala e porta-bandeira constam na folha de pagamento do instituto. Nesta mesma semana, a coluna já havia publicado uma reportagem mostrando que o primeiro mestre-sala, Matheus Miranda, transferido para a agremiação no início do ano vindo da Unidos da Tijuca, também atua como coordenador de núcleo e recebe R$ 3.520.

O segundo par, formado por Diego Jenkins e Thayanne Loureiro, conhecida como Thay Loureiro, ganha R$ 2.700 cada um, na condição de instrutores esportivos.

Há ainda o caso de Luiz Alberto Barros Barbosa, conhecido como Mestre Lolô, responsável pela bateria da Imperatriz Leopoldinense. Ele exerce a função de coordenador de núcleo, com salário mensal de R$ 3.520, situação semelhante à de sua esposa, Mara Rosa, que é remunerada por meio da empresa LM Fusion Tecnologia.

O maior salário, de R$ 6.100, pertence a Nelson Malfacini, coordenador-geral do projeto esportivo. Ele também é o fotógrafo oficial da escola de samba.

Já a esposa dele, Vanessa Barboteu Malfacini, foi admitida em outro projeto esportivo da organização, executado simultaneamente e custeado por uma emenda de Dr. Luizinho no valor de R$ 1,470 milhão, aprovada pela Comissão de Esporte da Câmara. Ela recebe R$ 6 mil como coordenadora-geral.

Em resposta enviada à reportagem, o instituto declarou que "além do corpo docente técnico, a execução dos projetos demanda profissionais para suporte administrativo, operacional e de gestão, justificando a presença dos referidos colaboradores".

Coreografia com jingle

Além dos componentes da escola, a coluna já tinha revelado que a organização contratou, como monitores, uma dupla que conduziu, em setembro, um evento de campanha de João Drumond e Dr Luizinho em uma quadra esportiva de Ramos, na zona norte do Rio.

O candidato a deputado estadual pelo PRD aguarda, com mais de 55 mil votos, a análise de um recurso no TSE, situação em que os votos permanecem sub judice.

Um vídeo divulgado na época no Instagram exibiu a personal trainer Caroline Pereira da Silva, conhecida como Carol Índia, e o professor de educação física Roni Alberto Machado conduzindo um grupo formado em sua maioria por idosas, em uma coreografia acompanhada do jingle de João.

Os dois recebem R$ 2 mil mensais.

A entidade se define como "apartidária" e afirmou, em comunicado: "O Instituto Imperatriz reafirma seu caráter estritamente apartidário, sendo vedada qualquer manifestação ou ato de cunho político-partidário no âmbito de suas instalações e atividades institucionais. A atuação de prestadores de serviços e colaboradores fora do ambiente de trabalho e da jornada contratual insere-se na esfera da vida civil individual, resguardada pelas garantias constitucionais de liberdade democrática e de expressão".

Emendas têm pagamentos suspeitos

As emendas de Dr. Luizinho destinadas ao Instituto Imperatriz Leopoldinense somam R$ 3,4 milhões. Essas verbas também apresentam pagamentos considerados suspeitos para a compra de materiais esportivos, assunto que a coluna já abordou em outra reportagem.

Entre os exemplos citados está a aquisição de 600 quimonos infantis, a R$ 400 cada, feita de uma empresa especializada em borrachas para geladeiras.

Tanto o instituto quanto as companhias contratadas pela organização rejeitam a existência de qualquer irregularidade.

Com informações de www.ururau.com.br.

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