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Varejo fluminense em alerta: fechamentos de lojas ultrapassam 13 mil em 2025 e preocupam setor

Dados da Jucerja mostram que o encerramento de estabelecimentos comerciais no Rio atingiu o maior patamar da série iniciada em 2019. Especialistas, comerciantes e entidades analisam causas e reflexos para o mercado imobiliário.

Varejo fluminense em alerta: fechamentos de lojas ultrapassam 13 mil em 2025 e preocupam setor
Imagem da reportagem

Um levantamento da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja), repassado ao jornal O DIA, indica que 13.025 empresas do comércio deixaram de funcionar no estado em 2025. Trata-se do índice mais elevado já registrado na série histórica, que abrange o período entre 2019 e 2026. A apuração também procurou ouvir profissionais e lojistas para compreender o que leva ao fim das atividades e quais são os efeitos sobre o segmento e sobre o mercado de imóveis.

Até setembro de 2026, o Estado somava 10.834 encerramentos e 17.214 inaugurações de empresas do comércio. No ano de 2025, as baixas chegaram a 13.025, o que representa um salto de 18,6% frente a 2024, período em que se contabilizaram 10.979 fechamentos. Já em 2019, primeiro ano do levantamento, o total de baixas foi de 10.798.

Em sentido oposto ao das baixas, as aberturas também avançaram entre 2024 e 2025. No último ano, surgiram 20.136 novos estabelecimentos comerciais, ante 18.488 no período anterior, o que equivale a um crescimento de 8,9%.

Para Joyce Araújo, especialista em Direito Imobiliário do escritório Durão, Almeida & Pontes, o grande obstáculo atual é conciliar gastos e receita. "Além do aluguel, os comerciantes precisam arcar com condomínio, IPTU, funcionários, estoque e outras despesas. Para os proprietários, manter valores incompatíveis com a realidade do mercado pode dificultar a locação. Imóveis que precisam de reformas ou estão em regiões com pouco movimento também podem enfrentar mais dificuldades para atrair interessados", explica.

A mesma especialista cita outros elementos que contribuem para o esvaziamento das lojas físicas. "A redução da circulação de trabalhadores em algumas regiões, a segurança pública, os custos de ocupação e as condições econômicas dos consumidores também influenciam o movimento comercial."

Já Mauricio Gonçalves, especialista em Direito Cível, Patrimonial e Familiar, avalia que a crise atinge o comércio de forma ampla, ainda que certos segmentos tenham conseguido se ajustar com mais facilidade. "Acredito que todos os segmentos foram afetados: moda, calçados, presentes e eletroportáteis, todos muito dependentes do fluxo de rua. Farmácias, serviços de bairro, pet, estética e alimentação com forte delivery se adaptaram melhor", avalia.

Segundo Joyce Araújo, a questão ultrapassa o próprio comércio e alcança também o setor imobiliário. Ela observa que imóveis desocupados geram prejuízo financeiro aos donos, que seguem arcando com manutenção e conservação. "Os imóveis vazios representam perda de renda para os proprietários, que continuam tendo despesas de manutenção e conservação. Quando a desocupação se prolonga, pode haver necessidade de renegociar aluguéis, realizar reformas ou adaptar o espaço para outras atividades. Em algumas regiões, muitos imóveis fechados também prejudicam a atratividade do entorno", explica.

Aldo Gonçalves, presidente do CDLRio e do SindilojasRio, reconhece que pandemia e comércio eletrônico tiveram impacto, mas sustenta que o varejo já vinha em trajetória de deterioração havia anos. "Você sabe que, a partir de 2013, houve uma recessão muito forte na economia, no final do governo Dilma. O comércio já estava sofrendo muito. Quando chegou a pandemia, foi a pá de cal. Muitas empresas fecharam, não tinham como sobreviver. Empresas pequenas, médias e até as grandes começaram a sentir os efeitos nessa época", lembra.

Na visão do dirigente, o cenário de fragilidade já existia quando a crise sanitária chegou. "Então, a pandemia veio num momento em que o comércio já estava enfraquecido. Depois, o e-commerce também afetou um pouco o comércio com lojas físicas, mas isso não é tão grave assim, porque o comércio tem que evoluir e se modificar. Foi importante perceber que o varejo precisa vender por múltiplos canais, ou seja, ter a loja física, vender pelo próprio e-commerce e também pelas plataformas", conta.

Aldo Gonçalves também destaca que a violência prejudica especialmente o comércio de rua, pois afeta não somente o funcionamento das lojas, mas igualmente o trânsito de clientes. "Hoje em dia, principalmente, quem mais compra no comércio é a mulher. Ela compra para si, para os filhos e para o marido e é muito mais vulnerável à questão dos assaltos", diz.

Sob o título de 'Acredito na força do comércio de bairro', a reportagem traz o relato de Mauro Gonçalves Ribeiro, de 63 anos, que atua como comerciante há mais de 45 anos no Rio. Ele afirma ter percebido transformações marcantes no hábito dos clientes ao longo do tempo. "Já acompanhei muita mudança nesses mais de 45 anos. Hoje, o cliente pesquisa mais, compara preços e está mais cuidadoso com o dinheiro. Mas acredito muito na força do comércio de bairro. Sempre fiz questão de estar nas minhas lojas, atender de perto, ouvir e ajudar. Esse atendimento faz toda a diferença. O cliente quer um bom preço, mas também quer alguém em quem possa confiar", ressalta.

Responsável pela Loja do PVC, em Rocha Miranda, Zona Norte do Rio, onde está instalado há mais de 25 anos, Mauro descarta a possibilidade de se mudar. "Sempre procurei acompanhar de perto e fazer os ajustes necessários. Tenho uma vida inteira dedicada ao comércio e gosto de atender, conversar e encontrar clientes. A loja faz parte da minha história e da história do bairro", diz.

Por sua vez, Andrea Moraes, proprietária da papelaria Estrela Azul MP, situada no Cachambi, também na Zona Norte, afirma que "está muito difícil manter uma loja aberta".

Com informações de CAMPOS 24HORAS.

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