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Espetáculo friburguense homenageia Benito Di Paula: "Ele era um menino do nosso bairro", diz diretor

Peça "O Homem da Montanha", encenada em Nova Friburgo em 2025, celebrou a vida e a obra do cantor e compositor, que morreu no domingo (18) em São Paulo. O velório será aberto ao público nesta terça-feira (20) no Theatro Municipal.

Espetáculo friburguense homenageia Benito Di Paula: "Ele era um menino do nosso bairro", diz diretor
Imagem da reportagem

Um dos grandes nomes da música brasileira, Benito Di Paula morreu em São Paulo. Em 2025, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, a vida e a obra do cantor e compositor foram destacadas no espetáculo "O Homem da Montanha". A peça homenageou o artista friburguense, autor de clássicos como "Retalhos de Cetim", "Meu Amigo Charlie Brown" e "Mulher Brasileira".

A direção do espetáculo ficou a cargo de Bernardo Dugin. Em suas redes sociais, o diretor desejou a Benito Di Paula "um caminho de muita luz" e manifestou solidariedade ao filho do artista, Rodrigo Vellozo.

Benito Di Paula morreu no domingo (18), em decorrência de um câncer de próstata, doença contra a qual vinha realizando tratamento havia um ano. O velório será aberto ao público nesta terça-feira (20), no Theatro Municipal de São Paulo.

Segundo o diretor, a preparação dos atores foi um mergulho na história e na memória afetiva de Nova Friburgo. Para montar a peça, ele ouviu histórias e conversou com pessoas que conviveram com Benito Di Paula.

"Uma das coisas mais bonitas é que, durante os ensaios, sempre aparecia alguém com uma lembrança nova. Alguém que dizia: 'Ah, o Benito cantava ali, em cima de um caixotinho, em um banquinho'. Fomos percebendo que Benito não era apenas aquele artista enorme que o Brasil inteiro conhece. Ele era também um menino do nosso bairro, alguém que fazia parte da vida das pessoas", contou o diretor.

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A equipe conversou com amigos, familiares e pessoas que fizeram parte da trajetória de Benito Di Paula.

Foto: Max Santos

Dugin explicou que, a partir das entrevistas, a equipe buscou conhecer Uday Vellozo, o menino que cresceu em uma família numerosa, em uma realidade humilde, cercado pelo amor dos pais, pelos afetos e pelas histórias de sua comunidade.

"No fundo, a história de Uday também é a história de tantos de nós. É a história de alguém que nasce em um lugar pequeno, carrega suas origens e, em algum momento, ousa sonhar para além das montanhas. Antes de se tornar um ícone da música brasileira, Benito foi um menino de Friburgo", finalizou o diretor.

Foto: Max Santos. Legenda: espetáculo contou a trajetória de vida de Benito Di Paula.

Benito Di Paula falou sobre Nova Friburgo

Em fevereiro de 2025, Benito Di Paula deu entrevista ao g1 e falou sobre a relação afetiva que tinha com a sua cidade natal.

O artista comentou ser "o homem da montanha", em referência à canção "Homem da Montanha", de 1976, que traz uma declaração de amor por Nova Friburgo e narra a vontade de voltar para a Serra diante da vida na cidade grande.

"É a minha terra, sou o 'Homem da Montanha'. Tenho muita saudade de lá, tenho recordações bonitas. Gosto muito da minha terra. Nova Friburgo é a minha casa, está no coração", contou.

Foto: Max Santos. Legenda: peça teatral homenageou Benito Di Paula em 2025.

Foto: Max Santos. Legenda: Benito Di Paula.

Benito Di Paula nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, com o nome de Uday Vellozo, e foi criado no Rio de Janeiro. O Brasil, porém, passou a conhecê-lo como Benito Di Paula a partir dos anos 1970, década em que o artista alcançou sucesso nacional com um samba diferente e de esquema novo.

Ao longo da carreira, tornou-se um dos nomes de destaque da música popular brasileira, sobretudo nas décadas de 1970 e 1980.

Ele chegou a mais de 50 milhões de discos vendidos no mundo, sendo quatro milhões apenas na Europa.

Entre seus sucessos estão "Retalhos de Cetim", "Charlie Brown" e "Mulher Brasileira". Seu estilo, marcado pela presença do piano e por arranjos românticos, ajudou a consolidar uma identidade própria dentro do samba.

Benito Di Paula nunca se considerou um sambista da linhagem de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, cantores e compositores que também fizeram grande sucesso na década de 1970 no segmento do samba. Ele sempre se rotulou publicamente como sambeiro e pianeiro.

Foi no toque percussivo do piano que Benito Di Paula criava a própria batucada, com um suingue brasileiro que, de certa forma, antecipou o pagode paulista propagado nos anos 1990 por grupos como Raça Negra, com arranjos cheios de teclados.

O fato é que o sambeiro pianeiro imprimiu uma assinatura singular na música do Brasil.

Foto: Reprodução / Capa de disco. Legenda: Benito Di Paula na capa de álbum de 1976.

Fonte original: https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/2026/10/19/espetaculo-friburguense-fez-homenagem-a-benito-di-paula-ele-era-um-menino-do-nosso-bairro-contou-o-diretor.ghtml

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