🌦️ Campos dos Goytacazes 22°C
◎
Polícia

Canal que surgiu em praia de Cabo Frio levanta dúvida: natureza ou mão humana?

Fenômeno que uniu a Lagoa da Barra Nova ao mar, no Foguete, está sob investigação do Inea, que apura se a abertura foi natural ou provocada. Um biólogo aponta as chuvas atípicas como possível causa.

Canal que surgiu em praia de Cabo Frio levanta dúvida: natureza ou mão humana?
Imagem da reportagem

Uma passagem entre a Lagoa da Barra Nova e o mar, na Praia do Foguete, em Cabo Frio, na Região dos Lagos fluminense, pode ter surgido por causa do volume de chuva fora do padrão observado nos últimos meses, na avaliação de um biólogo. Diante do caso, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) foi acionado na quarta-feira (21) e começou a apurar se a ligação se deu de maneira natural ou se resultou de intervenção humana, situação que caracterizaria crime ambiental.

A lagoa, conhecida pelo público como Lagoa Vermelha, costuma se encontrar com o oceano de tempos em tempos. Desta vez, a conexão foi observada entre domingo (18) e segunda-feira (19). Fotografias aéreas, exibidas em vídeo na reportagem original, revelam como a ligação alterou o visual da paisagem.

Um registro que circula nas redes sociais flagra frequentadores da praia removendo areia com as mãos. De acordo com o Inea, nenhum órgão responsável foi consultado para liberar qualquer tipo de interferência no lugar.

Para o biólogo do Instituto Albatroz, Eduardo Pimenta, as chuvas dos meses anteriores podem ter provocado a união entre a lagoa e o mar, embora ele não descarte que alguém tenha agido no local. Segundo o especialista, uma eventual abertura feita por pessoas poderia ter sido motivada pelo alagamento de residências ao redor da lagoa.

"Caso a abertura tenha sido feita por uma pessoa, a motivação pode ter sido o alagamento de casas no entorno da lagoa", afirmou.

Na sexta-feira (16), a Defesa Civil registrou em Cabo Frio 14,9 milímetros de precipitação em cerca de meia hora.

Pimenta também ressaltou que o escoamento da água lagunar para o oceano não atinge de forma direta a fauna marinha, embora possa levar à morte de peixes que vivem na lagoa.

"Alguns peixes de água doce que vivem na lagoa, quando chegarem no mar, vão morrer. Mas a maoria que conseguir se manter ali se reproduz e se estabelece a fauna normalmente. O impacto neste sentido não é tao significativo", disse o biólogo.

Conforme o secretário de Meio Ambiente, Jailton Dias, a prefeitura foi informada por mensagens e e-mails enviados por moradores do bairro do Foguete de que a passagem teria sido aberta artificialmente. Ele explicou que, nos períodos chuvosos, a lagoa sobe de nível e pode atingir imóveis próximos, situação em que a orientação é acionar os órgãos ambientais para que a gravidade seja analisada.

"Pedimos ao Inea um parecer, uma perícia geomorfológica daquela abertura e uma análise de balneabilidade para ver se teve alguma alteração na água da Praia do Foguete. Também buscamos câmeras que possam nos ajudar a elucidar esse caso", explicou.

Um dos banhistas gravados no local, Caio Pinheiro, rejeitou a versão de que ele e os amigos apareceram na praia com a finalidade de abrir a passagem. Segundo ele, o grupo se divertia na areia e escavava uma pequena piscina natural, prática recreativa comum entre quem frequenta o litoral.

"Eu e meus amigos estávamos na praia brincando e cavando uma pequena piscina natural na areia, uma atividade recreativa comum entre frequentadores da praia."

"Inclusive, havia crianças pequenas, de aproximadamente 2 anos, participando da brincadeira. Em nenhum momento nossa intenção foi romper a lagoa, provocar qualquer dano ambiental ou realizar uma abertura irregular", disse Caio.

O morador também sustentou que o rompimento aconteceu por volta de uma semana após a filmagem.

"Outro ponto importante é a cronologia dos acontecimentos: segundo o que presenciamos, o rompimento da lagoa ocorreu aproximadamente sete dias depois da gravação do vídeo. Na ocasião em que estivemos na praia, o tempo estava ensolarado, após um período de chuvas intensas. Por isso, considero importante que essa diferença de datas seja levada em consideração antes de se estabelecer qualquer relação entre a nossa brincadeira e o rompimento posterior", explicou.

O episódio também despertou a atenção de quem frequenta a praia. Um surfista que documentou o fenômeno contou que não enxergava a lagoa daquele jeito fazia quatro anos. A área onde fica a lagoa integra o Parque Estadual da Costa do Sol.

Por meio de nota, a Prefeitura de Arraial do Cabo afirmou que está acompanhando o caso, porém, até agora, não existe confirmação de que a abertura do canal tenha ocorrido de forma intencional.

Ao se manifestar, Caio classificou como injusto que as imagens levem a concluir que ele e os amigos causaram o rompimento, sem comprovação. Ele também disse estar à disposição para prestar esclarecimentos durante a apuração.

"Entendo a importância da preservação ambiental e respeito o trabalho dos órgãos responsáveis pela fiscalização. Entretanto, considero injusto que a divulgação do vídeo leve as pessoas a acreditar que fomos responsáveis pelo rompimento da lagoa, sem que essa responsabilidade tenha sido devidamente comprovada", concluiu Caio.

Com informações de G1 Norte Fluminense.

Gostou da matéria? Compartilhe: WhatsApp Facebook X
O que você achou desta notícia?

Leia também

Banner rodapé - exemplo Publicidade
⌁
COMÉRCIO LOCAL - DESTAQUE SUA MARCA Espaço disponível para anunciantes
Quero anunciar →
WhatsApp