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Rompimento de faixa de areia na Praia do Foguete liga lagoa ao oceano e mobiliza órgãos ambientais

Órgãos ambientais apuram quem abriu passagem irregular que conectou a Lagoa da Barra Nova ao mar, em Cabo Frio e Arraial do Cabo. Um dos banhistas filmados nega intenção de romper a lagoa.

Rompimento de faixa de areia na Praia do Foguete liga lagoa ao oceano e mobiliza órgãos ambientais
Imagem da reportagem

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) trabalha junto com as prefeituras de Cabo Frio e de Arraial do Cabo, municípios da Região dos Lagos, para descobrir quem foi responsável por uma passagem aberta de forma irregular na faixa de areia da Praia do Foguete. A abertura estabeleceu ligação entre a Lagoa da Barra Nova, popularmente chamada de Lagoa Vermelha, e o oceano.

Imagens aéreas, exibidas em vídeo na reportagem original, revelam como essa ligação alterou o visual do local. De acordo com o Inea, nenhum dos órgãos responsáveis foi consultado para permitir qualquer tipo de intervenção na área. Nas redes sociais, circula um vídeo em que frequentadores aparecem escavando a areia.

Em entrevista ao g1, Caio Pinheiro afirmou ser um dos banhistas registrados na gravação. Ele rejeita a versão de que ele e os colegas que aparecem na filmagem tivessem o objetivo de abrir a passagem. Segundo ele, o grupo estava no local para se divertir.

"Eu e meus amigos estávamos na praia brincando e cavando uma pequena piscina natural na areia, uma atividade recreativa comum entre frequentadores da praia."

Caio ainda ressaltou que havia crianças pequenas, com cerca de 2 anos, acompanhando a brincadeira. "Inclusive, havia crianças pequenas, de aproximadamente 2 anos, participando da brincadeira. Em nenhum momento nossa intenção foi romper a lagoa, provocar qualquer dano ambiental ou realizar uma abertura irregular", disse ele.

Um outro vídeo, que também circula na internet, mostra banhistas que supostamente estariam abrindo a passagem, mas a autoria exata das ações não foi confirmada.

Ainda segundo o morador, a quebra da barreira aconteceu cerca de uma semana depois da gravação. "Outro ponto importante é a cronologia dos acontecimentos: segundo o que presenciamos, o rompimento da lagoa ocorreu aproximadamente sete dias depois da gravação do vídeo."

Na mesma declaração, ele acrescentou detalhes sobre o clima no dia em que esteve na praia. "Na ocasião em que estivemos na praia, o tempo estava ensolarado, após um período de chuvas intensas. Por isso, considero importante que essa diferença de datas seja levada em consideração antes de se estabelecer qualquer relação entre a nossa brincadeira e o rompimento posterior", explicou.

Os órgãos ambientais avaliam que a faixa de areia se rompeu durante a madrugada, entre os dias 18 e 19 de outubro, o que liberou a saída da água da lagoa rumo ao mar.

O caso também despertou a atenção de quem frequenta a praia. Um surfista que filmou o fenômeno contou que não via a lagoa com aquele aspecto havia quatro anos. Vale lembrar que a lagoa integra o Parque Estadual da Costa do Sol.

O secretário municipal de Meio Ambiente de Cabo Frio, Jailton Dias, esclareceu que a passagem pode surgir naturalmente ou por ação humana. Conforme explicou, quando esse canal se abre, a água da lagoa pode seguir para o oceano, alterando a salinidade e afetando a fauna e a flora.

Jailton ressaltou ainda que a área tem papel relevante no escoamento natural da água do bairro. Para ele, qualquer intervenção no espaço deve passar por avaliação e receber autorização dos órgãos competentes.

"Estamos monitorando essa abertura em conjunto com o órgão competente. Chamo a atenção para o fato de que esta é uma área importante para a drenagem natural do bairro, por isso precisamos de autorização e acompanhamento", explicou o secretário.

Em comunicado oficial, a Prefeitura de Arraial do Cabo disse que acompanha o caso, mas que, por enquanto, não existe comprovação de que o canal tenha sido aberto de propósito.

A Lagoa da Barra Nova costuma passar por um processo natural de abertura para eliminar o excesso de água. Esse fenômeno pode ter acontecido por causa das chuvas fortes registradas nos últimos dias.

Em seu posicionamento, Caio afirmou considerar injusto que as imagens levem à conclusão de que ele e os amigos causaram o rompimento, sem que isso tenha sido comprovado. Ele disse estar à disposição para prestar esclarecimentos durante a investigação.

"Entendo a importância da preservação ambiental e respeito o trabalho dos órgãos responsáveis pela fiscalização. Entretanto, considero injusto que a divulgação do vídeo leve as pessoas a acreditar que fomos responsáveis pelo rompimento da lagoa, sem que essa responsabilidade tenha sido devidamente comprovada", concluiu Caio.

Com informações de G1 Norte Fluminense.

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